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Pobres pressionam ricos sobre clima

OESP, Vida, p.A12
07 de Dez de 2004

Pobres pressionam ricos sobre clima
Os países em desenvolvimento cobram ações das nações mais ricas para que reduzam as emissões de gases do efeito estufa
Ariel Palacios
Em meio às duras críticas disparadas pelos representantes dos governos dos países pobres contra os ricos, começou ontem em Buenos Aires a 10.ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-10). A cúpula, que reúne representantes de mais de 180 países, além de dezenas de ONGs e organismos intergovernamentais, debate as medidas a serem tomadas em todo o planeta para minimizar o impacto do aquecimento global.
A cúpula debutou com uma marcada tendência dos países em desenvolvimento em acusar os países desenvolvidos de fazerem poucos esforços para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa.
Na abertura da COP-10, Mohamed Jassim Al-Maslamani, representante do Qatar, discursando em nome do Grupo dos 77 (G-77) mais a China, afirmou que é preciso que a cooperação internacional torne-se logo efetiva, já que as mudanças climáticas ficam "cada vez mais críticas".
Segundo ele, as mudanças climáticas recentes causaram prejuízos graves, especialmente aos países em desenvolvimento, onde o impacto foi desastroso a tal ponto que a frágil infra-estrutura socioeconômica foi atingida. Por este motivo, argumenta, é preciso que os países ricos façam uma urgente transferência de tecnologia aos países pobres. Segundo Al-Maslamani, os ricos precisam mostrar sua adesão aos compromissos.
As principais críticas foram endereçadas aos Estados Unidos, país que assinou o Protocolo de Kyoto, mas não o homologou em seu parlamento. Dessa forma, o maior emissor mundial de gases (responsável por 25% do total do planeta) não obriga as empresas instaladas em seu território a moderar suas emissões.
A secretária-executiva da Convenção de Mudança Climática, Joke Waller-Hunter, recordou que, entre 1990 e 2000, a redução anual de emissão de gases em países desenvolvidos foi de 6,6%. No entanto, isso só foi possível graças aos países em desenvolvimento. Os países altamente industrializados, no entanto, aumentaram suas emissões em 7%.
Outra tendência desta cúpula é a de não deter-se somente nas estratégias para reduzir a emissão de gases, mas, também, a de como adaptar-se às mudanças climáticas, que despontam como inevitáveis.
Esta postura, nova, indica que muitos já admitem que as mudanças climáticas nos últimos anos foram mais graves que as esperadas. Os ecologistas consideram esta postura "fatalista".
Arca de Noé
Paralelamente ao evento, ONGs realizam atividades para expor seu ponto de vista sobre as catástrofes climáticas. O campeão nas manifestações é o Greenpeace, que chamou mais atenção do que a própria abertura da conferência ao colocar, ao lado do Obelisco, o monumento-símbolo de Buenos Aires, uma "Arca de Noé".
A intenção era a de alertar para os perigos do aquecimento, que a longo prazo pode causar inundações em diversas áreas do planeta. "Milhões de pessoas podem perder tudo", disse o diretor da ONG na Argentina, Juan Carlos Villalonga.

Algumas catastrofes desde a última conferência
Temporais, França, Dez/2003: 10 mil pessoas ficaram desabrigadas e 278 rodovias foram inundadas.
Onda de frio, Inglaterra, Dez/2003: Mais de 2.500 pessoas morreram. Temperaturas polares e 30 centímetros de neve.
Deslizamentos de Terra, Flitpinas, Dez/2003: 200 pessoas morreram soterradas. Mais de 7 mil ficaram desabrigadas.
Chuva , Brasil, Fev/2004: 91 mortos e 115 mil desabrigados; 79 pontes e 10 mil quilômetros de rodovias danificadas.
Chuvas, Haiti e Republica Dominicana, Mai/2004: Mais de 2 mil pessoas morreram em enchentes e deslizamentos de terra, que arrasaram vilarejos.
Inundações, Sudeste Asiatico, Jul/2004: 5 milhões de pessoas foram prejudicadas por terríveis inundações, causando 160 mortos.
Furacões, Caribe, Set/2004: 4 furacões assolaram o Caribe e o sul dos EUA. O furacão Jeanne causou a morte de 1.500 pessoas no Haiti e deixou mil desaparecidos.
Tufão, Japão, Set/2004: O Songda matou 31 pessoas e feriu 900.

OESP, 07/12/2004, p. A12

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