OESP, Economia, p. B11
05 de Abr de 2012
PM garante volta ao trabalho em Belo Monte
FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ
Trabalhadores tentaram impedir com barricadas na manhã de ontem a passagem de ônibus transportando trabalhadores para os canteiros de obras da usina de Belo Monte. A greve foi encerrada anteontem. As barricadas foram desmontadas pela Polícia Militar. O consórcio construtor da usina admitiu que alguns canteiros não trabalharam com 100% das equipes ontem.
Na terça-feira, para garantir que os cerca de 1,5 mil trabalhadores fossem para a obra, veículos da tropa de choque da Polícia Militar escoltaram os ônibus que transportam os operários.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada do Pará, Weubio César, disse que a escolta não era para garantir que fossem ao trabalho, mas sim para proteger os trabalhadores de militantes do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, que estariam aproveitando a greve para prejudicar a construção. Outros trabalhadores disseram que havia policiais dentro dos ônibus, informação que não foi confirmada.
Na terça-feira, o juiz estadual da comarca de Altamira, Wander Luís Bernardo, emitiu um mandado proibitório em caráter liminar, impondo multa de até R$ 100 mil caso os integrantes do Movimento Xingu Vivo cometam "qualquer moléstia à posse" do consórcio ou ao exercício das atividades dos trabalhadores, ou ainda impeçam seu acesso aos canteiros.
Na ação inicial, o Consórcio, informa que nos dia 29, 30 e 31 de março, os quatro citados, "em flagrante ofensa ao direito de propriedade e ao princípio do livre exercício da atividade econômica", teriam praticado "diversos atos ilícitos lesivos não só ao Autor , como também à segurança dos colaboradores (...) e dos moradores da região de Altamira".
Ainda segundo o consórcio, os acusados teriam bloqueado a BR 230, "numa espécie de parede humana", invadido os ônibus da empresa e provocado distúrbios, "tais como bater nos vidros e laterais dos ônibus e obrigar que os motoristas abandonassem os veículos gritando palavras intimidatórias". Os acusados teriam fechado a Rodovia Transamazônica, impedindo a passagem dos veículos.
O juiz determinou que a Policia Militar e a Força de Segurança Nacional garantam a segurança no local das obras e protejam os funcionários, proibindo protestos e manifestações que prejudiquem o andamento da construção da usina.
O consórcio construtor informou que diante das constantes ações dos ambientalistas, a saída foi buscar meios legais "por questão de segurança".
Em nota, o Movimento Xingu Vivo para Sempre denunciou como de "extrema gravidade" a emissão, por parte da Justiça, de uma liminar "sem fundamentos comprovados" a partir de argumentos "estapafúrdios". Os ambientalistas reivindicam "a imediata suspensão do interdito proibitório para que o Estado Democrático de Direito seja minimamente respeitado, e para que a Justiça não seja exposta a uma incômoda situação vexatória".
OESP, 05/04/2012, Economia, p. B11
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