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PM do Pará apura outro assassinato de lavrador

OESP, Nacional, p. A9
15 de Jun de 2011

PM do Pará apura outro assassinato de lavrador
Homem foi encontrado morto com tiro no ouvido; Planalto tenta evitar ''foco político''

Carlos Mendes / BELÉM
ESPECIAL PARA O ESTADO

A polícia do Pará investiga a morte, provavelmente em decorrência de um tiro de espingarda no ouvido, do agricultor Obede Loyola Souza, de 31 anos, ocorrida quinta-feira passada, no acampamento Esperança, em Pacajá, no sudeste do Estado. Casado, ele deixou mulher e três filhos pequenos. Foi morto a menos de 500 metros do local onde morava.
É a quinta morte em menos de 30 dias em áreas de assentamento no Estado. Quatro homens suspeitos, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram vistos em uma picape, trafegando pelo local, dias antes da morte de Souza. O quarteto estaria a serviço de madeireiros de Pacajá. A vítima teria discutido com um dos homens, condenando a extração de madeira.
Ainda não está claro, para a polícia, se Souza é mais uma vítima da luta pela posse de terra ou se foi assassinado por conta de desavenças pessoais. O corpo do lavrador estava pronto para ser sepultado em um cemitério da cidade de Pacajá, na sexta-feira, quando apareceram no local homens da Força Nacional de Segurança que o levaram para a necropsia no Instituto Médico Legal (IML), em Belém. Foram colhidas algumas impressões no cadáver que estão sendo avaliadas por peritos.
Enquanto a polícia mantém cautela sobre a motivação do assassinato de Souza, a CPT admite que a vítima não fazia parte de nenhum movimento social ou recebia qualquer apoio da entidade, embora ressalve que o acampamento Esperança foi construído com ajuda de lideranças do Assentamento Barrageira e da Casa Familiar Rural de Tucuruí.
Segundo a CPT, uma testemunha que teria visto os homens rondando o assentamento teme sofrer represália. Ela foi aconselhada a contar o que sabe à polícia de Tucuruí e deixar a cidade.
Planalto. A estratégia do Palácio do Planalto é tirar o "foco político" da discussão e isolar o assunto nas pastas de Direitos Humanos e da Justiça, que já coordenam desde a semana passada a Operação Defesa da Vida, montada para tentar acabar com os conflitos na Amazônia.
Por meio de nota, a Secretaria de Direitos Humanos informou que, em conjunto com o Ministério da Justiça e em apoio aos governos estaduais, está realizando a segurança coletiva e auxiliando na investigação dos homicídios ocorridos nos últimos dias. Sobre a morte de Obede Loyola Souza, a nota do ministério foi lacônica e destacou apenas: "A ocorrência de mais esse crime reforça a necessidade de uma ação integrada e enérgica que enfrente a impunidade." / COLABOROU LEONENCIO NOSSA

PARA LEMBRAR
1 assassinato foi em maio

A nova onda de mortes no campo começou em 24 de maio com o assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a lista de pessoas ameaçadas chega a 1885 nomes. No início do mês, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião para discutir o assunto e determinou o envio de tropas da Força Nacional ao Pará. Os homens chegaram ao Estado na quarta-feira passada e devem permanecer no local pelos próximos três meses.

OESP, 15/06/2011, Nacional, p. A9

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110615/not_imp732422,0.php

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