A Crítica - http://acritica.uol.com.br
Autor: Mônica Prestes
08 de Nov de 2011
A ausência de sistemas de tratamento de esgoto atinge 83% das cidades amazonenses. Mas, na comunidade Sagrado Coração de Jesus, no município de Careiro da Várzea (a 22 quilômetros de Manaus) um projeto sustentável, simples e de baixo custo de tratamento do esgoto doméstico está sendo adaptado às particularidades da região e ajudando a mudar essa realidade.
Trata-se do Filtro Raiz ou wetland (termo em inglês), um sistema de pós-tratamento de esgoto que utiliza plantas regionais, seixo e areia em um processo que pode remover de 99,99% a 100% dos coliformes fecais presentes na água, que depois é lançada novamente no rio.
Desenvolvido pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), em parceria com ao Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o sistema, que já está em fase de testes na comunidade Sagrado Coração de Jesus há cerca de um mês e também é utilizado na própria Fucapi, foi adaptado para ser implantado em comunidades ribeirinhas.
As adaptações diferenciam o projeto de outros sistemas de wetland e reduzem os custos para implantação e facilitam a manutenção pelos próprios ribeirinhos, como destaca a coordenadora do projeto, a engenheira ambiental e mestre em tecnologias ambientais, Andréa Asmus.
"O Filtro Raiz não é uma novidade, a inovação está na adaptação desses sistema à realidade ribeirinha, onde não há tratamento de esgoto e os recursos são limitados. Por ser um sistema simples, ele pode ser mantido pelos próprio ribeirinhos, pois não exige produtos químicos ou equipamentos complexos, apenas as plantas típicas da região, às quais eles já estão acostumados", explicou Asmus.
Outro diferencial do projeto desenvolvido pela Fucapi é o fato de esse sistema de Filtro Raiz ser adaptável tanto para palafitas, onde as estações de tratamento ficam submersas por até dois meses, quanto para flutuantes, onde o sistema é mantido sempre no mesmo nível do rio, suportada por troncos. Este segundo modelo, no entanto, deve ser implantado na comunidade Sagrado Coração de Jesus até o fim do ano.
Filtro Raiz não supre ausência de fossas
Apesar de eliminar até 100% dos coliformes fecais, o sistema de Filtro-Raiz não dispensa a implantação das fossas sépticas, alerta a coordenadora do projeto e engenheira ambiental da Fucapi, Andréa Asmus.
De acordo com ela, o filtro formado pelo uso da areia e do seixo dentro dos reservatórios de água e a presença das plantas não são suficientes para retirar os materiais orgânicos presentes nos efluentes domésticos.
"As fossas sépticas são indispensáveis para o bom funcionamento do Filtro Raiz. Na comunidade (Sagrado Coração de Jesus, no Careiro da Várzea) implantamos fossas compactas de PVC, que recebem o esgoto dos sanitários e da caixa de gordura, antes de seguirem para o sistema de wetland", esclareceu.
99,99% dos coliformes fecais foram eliminados pelo sistema de Filtro Raiz da Fucapi. O projeto, iniciado em 2008, foi financiado pela Funasa. Ele é feito para comportar o esgoto doméstico de pequenas comunidades, não suportando grandes vazões, e é acompanhado de ações de educação ambiental nas comunidades.
Saiba mais
Praticidade
O sistema de Filtro Raiz desenvolvido pela Fucapi consiste em uma fossa compacta de PVC, uma caixa d'água de três mil litros e tubulação de PVC, que recebe os efluentes por uma abertura na parte inferior.
Dentro da caixa, são plantadas gramíneas sobre camadas de areia e seixo, que funcionam como um filtro, criando microorganismos, principalmente, nas raízes das plantas, que retiram os materiais orgânicos do esgoto para se nutrir e liberam água limpa por uma abertura superior, que leva a água de volta ao rio.
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