O Globo, Ciência, p. 30
22 de Abr de 2007
Planeta mutante
Carlos Albuquerque com fotos de Custódio Coimbra
No Dia da Terra, em vez de sinais verdes, o alerta é vermelho. Em todo o mundo, shows, protestos e manifestações refletem hoje a preocupação cada vez maior sobre o destino de um planeta que esquenta. Não por acaso este também foi escolhido o Ano Internacional do Planeta Terra. As mudanças climáticas, causadas pelo aumento desproporcional dos gases que regulam o efeito estufa, dividirão a Humanidade como nunca aconteceu em toda a História, com fome, doenças, migrações forçadas e conflitos. Todos serão afetados, mas os países pobres vão sofrer mais.
É o que garantem os relatórios preparados este ano pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - a terceira parte vai ser apresentada nos próximos dias. Influenciado por esses dados, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu, terça-feira passada, para tratar, pela primeira vez, dos problemas ambientais, que já são considerados por muitos países uma questão de segurança mundial.
Nessa espécie de filme-catástrofe chamado aquecimento global, o maior vilão, garantem os cientistas, é o próprio homem. E, por isso, um dos temas das campanhas do Dia da Terra é a responsabilidade individual, o que cada pessoa pode fazer para combater o aquecimento do planeta. A neutralização das emissões, por exemplo, é uma das medidas sugeridas pelo site Dia da Terra (www.earthday.net).
Tudo para evitar que continuemos a engrossar o "lençol" que envolve a Terra (uma camada de gases como metano, dióxido de carbono e vapor d'água) e mantém a temperatura no planeta em torno de 15 graus Celsius. No último século, a temperatura aumentou 0,7 grau Celsius. E continua subindo. Se subir 2 graus Celsius, chegaremos ao que os cientistas chamam de ponto sem volta.
O resultado disso tudo já é conhecido: derretimento de geleiras, elevação do nível dos mares, enchentes, mortes de corais, ondas de calor na Europa, seca na Amazônia. O aquecimento é globalizado.
A conta, porém, não vai ser dividida de forma igual. Segundo o IPCC, o preço de limitar as emissões de gases do efeito estufa deve custar 3% do PIB mundial até 2030. Os países em desenvolvimento, porém, terão mais dificuldades em saldar essa dívida. Cientistas prevêem que, até o ano de 2020, entre 75 milhões e 250 milhões de pessoas na África vão sofrer com falta d'água e fome.
Mas nem tudo é cinza nesse cenário. Para a ONU, o uso eficiente dos combustíveis fósseis, a adoção de energias nuclear e alternativas e o melhor gerenciamento das florestas seriam suficientes para reduzir as emissões. Mudanças nos hábitos pessoais economia de água e energia, por exemplo - também contam pontos. Para a Terra, alertam cientistas, o sinal verde tem que ser aceso agora
O Globo, 22/04/2007, Ciência, p. 30
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.