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Planalto teme que migração afete áreas indígenas

OESP, Internacional, p. A14
15 de Out de 2016

Planalto teme que migração afete áreas indígenas
Venezuelanos, que fogem da crise, vêm entrando no País por Pacaraima, Rondônia, que tem poucos recursos e abriga comunidades nativas

Tânia Monteiro
BRASÍLIA

A busca por uma solução, ao menos paliativa, para os problemas humanitários surgidos com a entrada constante de venezuelanos no Brasil, acentuada no último mês por conta da grave crise econômica no país vizinho e a tentativa de evitar qualquer tipo de problema destes imigrantes com as comunidades indígenas locais, serão alguns dos temas a serem abordados na reunião convocada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para às 16 horas de segunda-feira, no Planalto.
O presidente Michel Temer está sendo informado sobre os esforços do governo para tentar mapear e encontrar uma maneira de reduzir os problemas na região.
A crise na Venezuela preocupa o governo brasileiro, pois está claro que os líderes venezuelanos não têm mais condições de garantir o bem-estar de seus cidadãos. Por conta disso, eles estão saindo da Venezuela, em busca de refúgio e novas oportunidades não só no Brasil, mas também na Colômbia. No caso da Colômbia, existem mais cidades capazes de abrigar os venezuelanos. Já, no caso brasileiro, a entrada tem ocorrido via Pacaraima, em Roraima, onde, segundo dados que chegaram ao Planalto, ao menos 230 venezuelanos, entre adultos e crianças, estão vivendo nas ruas da pequena cidade de 7 mil habitantes, provocando uma favelização do município, que não tem como suportar um atendimento desse porte.
Além da região de Pacaraima ser pobre, sem muitos recursos, há ainda o problema de as famílias venezuelanas começarem a entrar em áreas indígenas, que representam a maioria das terras da área, criando um problema com as diferentes etnias que vivem no local. Vários dos imigrantes que chegaram a Pacaraima pertencem a uma etnia venezuelana, que não existe no Brasil, a warao. O governo federal quer encontrar uma maneira de dar ajuda humanitária a estas populações, que são consideradas "refugiadas econômicos e não políticas".
Embora todas as características sejam de uma crise humanitária, o Planalto sabe que ela pode se transformar em crise política, em razão da questão bolivariana. Desde que Dilma Rousseff foi afastada do poder, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vem hostilizando o Brasil e tratando o governo Temer como "golpista". Com todos estes ingredientes, o governo brasileiro está acompanhando atentamente o tema e daí a decisão de promover esta reunião com o chamado Grupo de Trabalho da Venezuela, para avaliar o quadro e discutir o que pode ser feito para evitar confronto na região indígena.

OESP, 15/10/2016, Internacional, p. A14

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