VOLTAR

Piora nível de poluição do Tietê

OESP, Metrópole, p. C1
16 de Mai de 2007

Piora nível de poluição do Tietê
Segundo Cetesb, concentração de elementos químicos subiu em 2006

Eduardo Reina

O Rio Tietê, o principal de São Paulo, ficou ainda mais poluído em 2006. Detergentes fizeram aumentar a concentração de substâncias tóxicas, como fósforo e amônia, nas águas. Também há mais esgoto sem tratamento e sujeira sólida, apesar do investimento de US$ 400 milhões feito pelo governo paulista em três estações de tratamento, com apoio internacional. Quem afirma é a própria Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em relatório divulgado ontem sobre a qualidade das águas no Estado.

Além do aumento da poluição, ocorreu regressão em indicadores que haviam apresentado melhora nos últimos anos. O nível de oxigênio voltou aos patamares críticos da década de 90. Durante boa parte do ano, permaneceu em 0 miligrama por litro no trecho que corta a capital - o que leva alguns ambientalistas a classificarem o Tietê como rio morto na região. Em 2005, a Cetesb registrara no trecho paulistano 0,5 miligrama de oxigênio por litro, número 16 vezes menor que o necessário para que o rio voltasse a ter peixes.

O aumento da concentração de poluentes no Tietê foi constatado a partir de Mogi das Cruzes. Segundo Eduardo Mazzolenis de Oliveira, gerente do Departamento de Tecnologia de Águas Superficiais e Efluentes Líquidos da Cetesb, 'São Paulo é a cidade campeã de poluição'. Nesse ranking, Guarulhos ocupa o segundo lugar, seguida pelos municípios do ABC. 'Eles despejam esgoto no Tamanduateí e no Ribeirão dos Meninos, que deságuam no Tietê.'

O rio apresenta sinais de recuperação no trecho inicial do Médio Tietê (que vai do Reservatório de Pirapora até a Barragem de Barra Bonita), apesar de, na foz do Rio Jundiaí, haver queda no teor de oxigênio. Só a partir de Barra Bonita, região central do Estado, o rio volta a se recuperar, com o oxigênio atingindo o índice de 8 miligramas por litro, suficiente para manter a vida.

A especialista em gestão de recursos hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, contesta os dados da Cetesb. 'É simplório falar que o Tietê piorou', diz. 'Os índices parecem ser pontuais do ano passado. Mas, como um todo, o rio tem apresentado melhoras em diversos aspectos. Em setembro, fizemos uma medição do nível de oxigênio perto da Ponte das Bandeiras e registramos 2 miligramas por litro. Desde 1993 fazemos medições desse tipo em 300 pontos do Tietê e podemos afirmar que tivemos avanços.'

Para o presidente da Cetesb, Fernando Rei, as prefeituras da Grande São Paulo são as culpadas pelo aumento da poluição, porque não fizeram a sua parte, o tratamento de esgoto. 'Todo o trabalho que foi feito no Tietê pelo Estado foi para o aprofundamento da calha e para evitar enchentes', diz. Segundo ele, o esgoto não tratado vem principalmente de Guarulhos e cidades que estão na cabeceira do rio.

De acordo com dados da Sabesp, Guarulhos lança mil litros por segundo de esgoto sem tratamento no Tietê. A poluição do rio pelo esgoto da cidade já causou polêmica, em 2 abril, entre o governador José Serra e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saee) do município.

Na ocasião, Serra lamentou o acordo fechado pelo prefeito de Guarulhos, Elói Pietá (PT), com o Ministério Público, no qual a prefeitura se comprometeu a deixar de lançar esgoto no rio até 2030. '(A poluição no Tietê) é feita especialmente pelo município de Guarulhos. O prefeito - não é porque ele é do PT, mas inclusive - simplesmente fez um acordo maluco, absurdo, de que só vai despoluir em 2030.'

O superintendente do Saee, João Roberto Rocha Moraes, respondeu que o município busca sem sucesso, desde 2001, financiamento do Estado para obras e foi o único da Grande São Paulo que não recebeu apoio. Apesar de a data-limite para conclusão do projeto ser 2030, o ritmo dos trabalhos pode, segundo ele, ser acelerado com o aporte de recursos.

O Projeto Tietê, de despoluição do rio, começou em 1992 e estava dividido em duas fases. A primeira terminou em 1998, com a construção de três estações de tratamento, 1.500 quilômetros de novas redes coletoras de esgotos e 315 quilômetros de coletores-tronco, entre outras iniciativas. O índice de tratamento dos dejetos passou, na época, de 24% para 62%.

O desempenho alcançado com o Projeto Tietê diminuiu na segunda fase, prevista para ser concluída em 2008. Apesar de no ano passado 90% das obras estarem concluídas, a maioria das cidades da Grande São Paulo não tinha sido totalmente conectada à rede. Guarulhos é a única que não integra o projeto. Mas mesmo a capital ainda não trata 37% do esgoto que produz.

MANANCIAIS

A Cetesb também analisou a qualidade da água para abastecimento. A pior situação ocorreu na bacia do Alto Tietê (de Salesópolis até a Barragem de Rasgão). O monitoramento apontou em 2006 índice péssimo e ruim em 55% das medições, contra 53% de 2005. Isso não impede que a água seja consumida, porque ela é tratada pelas companhias de saneamento até ficar potável.

A Cetesb registrou em vários períodos de 2006 água de qualidade péssima nas bacias do Jundiaí/Capivari/Piracicaba, Alto Tietê, Sorocaba/Médio Tietê, Turvo/Grande e Pontal do Paranapanema. Segundo a companhia, a industrialização e a atividade agrícola aumentaram a poluição das bacias.

A parte boa do estudo é que houve predominância das classificações boa e regular na qualidade da água em 74% dos 356 pontos monitorados pela Cetesb em rios e lagos paulistas. Já as classificações ruim e péssima ocorreram em 26% dos pontos. Para o governo, a situação é razoável. 'Os dados são aceitáveis, nada que satisfaça. Ainda há muito o que fazer', disse o secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano.

Kassab anuncia 2 aterros sanitários verdes para junho

Camila Viegas-Lee

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem, em Nova York, a inauguração de dois aterros sanitários verdes para transformar 1,8 mil tonelada de carbono em energia elétrica. 'O projeto será inaugurado em 5 de junho e antecipa em dez anos nosso compromisso para reduzir a emissão de carbono.' O anúncio foi feito durante palestra na Conferência Climática C40, para executivos, ambientalistas e representantes das 40 maiores metrópoles do mundo.

Kassab afirmou que de nada adiantam políticas de meio ambiente promovidas por governos federais e estaduais se elas não contarem com o engajamento dos municípios, 'onde as ações efetivamente acontecem'. O prefeito citou como exemplo de medidas tomadas em nível municipal a portaria que exige o uso de madeira certificada de todos os fornecedores da Prefeitura e o projeto que enviou à Câmara prevendo uso obrigatório de energia solar nos prédios novos.

Além disso, Kassab falou sobre a Lei Cidade Limpa. Disse que ela enfrentou resistência no início, mas hoje conseguiu índice de 93% de aprovação. 'Começamos pelo mais simples que é o combate à poluição visual. Agora estamos trabalhando no combate à poluição da água, do ar e sonora.'

Coleta de lixo melhora, mas 337 cidades preocupam

Os indicadores levantados pela Cetesb em 2006 mostraram que houve uma redução significativa no volume de lixo domiciliar disposto de maneira inadequada em todo o Estado. Em 2005, 2.300 toneladas (8,2%) do lixo gerado diariamente no Estado tinham destinação incorreta. No ano passado esse número caiu para 1,8 mil toneladas (6,5% do total). Entretanto, ainda há em São Paulo 337 cidades sem aterros ou lixões adequados - embora esse número tenha subido desde 1997, quando apenas 27 cidades estavam dentro do padrão.

Também caiu o número de acidentes com emergências químicas atendidos pelos técnicos da Cetesb em 2006, na comparação com 2005. Foram 397 atendimentos, ante 419 no ano anterior. O setor de transporte rodoviário de produtos perigosos, com 198 acidentes, foi responsável por 49,9% das emergências. O maior número de casos aconteceu nas Rodovias Régis Bittencourt (27) e Anhangüera (22).

OESP, 16/05/2007, Metrópole, p. C1

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.