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Pior seca em 30 anos do semiárido nordestino afeta Zona da Mata

OESP, Vida, p. A20
17 de Mai de 2012

Pior seca em 30 anos do semiárido nordestino afeta Zona da Mata
Segundo produtores de cana-de-açúcar, produção será pelo menos 20% menor; preço da comida subiu

ANGELA LACERDA / RECIFE

A seca que destrói lavouras e reduz o rebanho dos agricultores no semiárido, considerada a pior dos últimos 30 anos, já faz estragos na região da Zona da Mata, faixa paralela ao litoral nordestino, onde ocorre cultivo da cana-de-açúcar.
"Mesmo que o período chuvoso comece hoje, teremos uma redução de 20% na produção de cana do Nordeste", diz o presidente da União Nordestina de Produtores de Cana, Alexandre Andrade. A produção da região é de 62 milhões de toneladas.
No semiárido não há mais esperança de chuva neste ano, lamenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Doriel Barros, que, em meio às dificuldades de quem vive no agreste e sertão, comemora a conquista de uma reivindicação feita ao governo estadual: a de que os conselhos municipais, que envolvem a sociedade civil, passem a acompanhar e monitorar a distribuição de carros pipas com as populações sedentas.
"Assim a gente assegura que a água vá para quem precisa, sem influência político-eleitoreira", afirma Barros.
O açude da Barra do Juá, na área rural do município sertanejo de Floresta, a 439 km do Recife, entrou em colapso e a comunidade abastecida por ele vivencia "a pior seca da era", nas palavras do coordenador dos usuários do açude, Ricardo Souza.
Embora o preço do alimento tenha duplicado - o quilo do feijão está sendo vendido a R$ 8 -, as pessoas não estão passando fome. A situação dos animais, contudo, é ruim, aponta Souza.
Por enquanto, não há sinal de êxodo dos habitantes do semiárido em busca de locais menos degradados pela estiagem e com maior oferta de alimento e trabalho. "As pessoas têm esperança nas ações do governo", diz o dirigente sindical Doriel Barros.
Hoje, 749 municípios do semiárido estão em estado de emergência. A Bahia enfrenta uma das situações mais graves, com 214 municípios - dos 417 - nessa situação. A Paraíba tem 172, o Rio Grande do Norte, 140 e o Piauí 112. Pernambuco tem 62, Alagoas 28, Sergipe e Ceará 20 cada um. O Maranhão tem um.
Fábrica de chuva. O governo baiano pretende "fabricar" chuva para amenizar os efeitos da prolongada estiagem, que deixa mais da metade dos 417 municípios em situação de emergência e afeta 2,7 milhões de pessoas. Segundo a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, os prejuízos causados pela seca, considerada a maior no Estado nos últimos 47 anos, ultrapassam R$ 100 milhões.
A Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária está finalizando os estudos para o início da operação nas áreas mais castigadas pela seca: Irecê, na Chapada Diamantina, e Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. A tecnologia consiste em pulverizar, usando aviões, água potável em nuvens da regiões, tornando-as mais densas e propensas à precipitação. / TIAGO DÉCIMO

OESP, 17/05/2012, Vida, p. A20

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pior-seca-em-30-anos-do-sem…

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