Folha Web - http://www.folhabv.com.br/
Autor: Andrezza Trajano
08 de Jun de 2011
O piloto Tarso de Souza Cruz, que estava há dez dias em poder de índios na terra Yanomami, junto com uma aeronave Cessna fretada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), fugiu na madrugada de ontem. Ele estava na aldeia Watorik, na região do Demini, no Amazonas.
O piloto aproveitou o momento em que os índios estavam dormindo e tirou os pedaços de pau que tinham sido colocadas pelos indígenas na pista de decolagem. Em seguida, ligou o avião e partiu. A aeronave pertence à empresa Roraima Táxi Aéreo, que presta serviço de assistência à saúde indígena.
Os Yanomami protestam contra ingerências políticas no comando do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena Yanomami e Yekuana (DSEI-Y). Eles não aceitam a nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora da coordenação regional da Funasa.
Eles exigem a nomeação de Joana Claudete de Mercês Schuertz, que há quatro anos ocupa o cargo interinamente. A indicação, afirmam, teria partido do senador Romero Jucá (PMDB). O parlamentar nega a indicação.
Arlindo Melo Filho, cunhado de Souza Cruz, disse que o piloto chegou às 7h no hangar da empresa. "Quando o vi, dei um abraço e fiquei satisfeito por ele estar bem de saúde. Pena que ele perdeu o casamento da filha, que foi realizado no sábado passado em Brasília", disse Filho. O piloto é casado e pai de três filhos.
O coordenador da Roraima Táxi Aéreo, Rosivan Dias, disse que os voos para a reserva Yanomami permanecem suspensos até que a questão seja solucionada. Em média doze voos são realizados diariamente para o território indígena. Neles, são feitas as remoções de pacientes e transporte de indígenas, trabalhadores de saúdes, de alimentos e de produtos médicos.
A empresa, que recebe por hora/voo, afirma que acumula diversos prejuízos. A hora/voo custa R$ 1.300,00. A Roraima Táxi Aéreo voa para a terra Yanomami mais de 20 horas por dia.
A questão só será regularizada, afirma, quando tiver a garantia que os pilotos trabalharão em segurança. "Vamos negociar com os índios, Polícia Federal, Ministério Público Federal, DSE-Y e a Funasa", disse.
Até lá, os índios permanecerão sem receber insumos e alimentos. A remoção de pacientes também está suspensa. No mês passado, outra aeronave Cessna tinha sido retida pelos Yanomami da comunidade Haxiú. O avião só foi liberado depois de entendimentos junto ao distrito e para fazer a remoção de um paciente que foi ferido por arma de fogo.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.