O Globo, Rio, p.12
05 de Set de 2005
PF vai indiciar responsáveis por óleo na baía
Lilian Fernandes e Natanael Damasceno
A Polícia Federal vai indiciar os responsáveis pelo vazamento de pelo menos dois mil litros de óleo na Baía de Guanabara. Ontem, agentes federais e do Batalhão Florestal e de Meio Ambiente fizeram uma vistoria no estaleiro Enavi/Renave, em Niterói e, junto como o Grupamento Aeromarítimo da Polícia Militar, sobrevoaram a Baía de Guanabara para verificar a extensão da mancha. Devido à grande dimensão das áreas atingidas, a prefeitura de Niterói suspeita que o volume de óleo pode ter sido cinco vezes maior do que o informado pela Feema.
O combustível vazou na madrugada de sábado, depois de um acidente com o navio Saga Mascot, de Nassau, durante a atracação. A mancha, que no sábado chegou às praias das Flechas, da Boa Viagem e de Icaraí, ontem atingiu as praias de Imbuí, Rio Branco e Piratininga, na Região Oceânica.
À tarde, representantes do estaleiro e da embarcação prestaram depoimento na delegacia da PF de Niterói. Segundo o delegado Alexandre Neto Vieira, da PF, os responsáveis estarão sujeitos a sanções penais, administrativas e cíveis:
Pelo que os peritos viram, desconfiamos que o vazamento não tenha ocorrido na madrugada de sábado e que seja maior do que o alegado.
Feema diz que mancha se espalhou devido aos ventos
O Secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Niterói, Jeferson Martins, compartilha da mesma opinião. Segundo ele, a prefeitura trabalha com a hipótese de que até dez mil litros de óleo tenham vazado para a baía:
Os responsáveis alegam que não consertariam o navio com o tanque cheio. Mas, pela extensão alcançada pelos poluentes em tão pouco tempo, dois mil litros parece pouco: as praias ficam muito distantes do estaleiro.
Apesar disso, os técnicos da Feema continuaram afirmando, ontem à tarde, que o vazamento ficou em torno de dois mil litros de óleo. Segundo o analista ambiental Dyrton Bellas, o vazamento pode ser classificado como um acidente de médias proporções. Os técnicos dizem que a mancha se espalhou devido às condições do vento e das marés. Eles garantiram que os responsáveis serão enquadrados na lei de crimes ambientais.
Até amanhã deveremos ter removido a maior parte do óleo. Mas, como algum resíduo ainda pode se soltar, continuaremos realizando inspeções diárias enquanto for necessário, inclusive com sobrevôos, para acompanhar o deslocamento da mancha disse Dyrton Bellas.
A prefeitura de Niterói pediu à Defesa Civil que interditasse para o banho todas as praias atingidas e determinou que a Guarda Municipal orientasse quem insistia em ir à praia a não entrar no mar nem caminhar pelas áreas onde a areia estava encharcada de óleo.
Clin já retirou 34 caminhões de areia contaminada
Ontem, cerca de 20 técnicos da Feema, 80 funcionários da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) e equipes de várias empresas do Plano de Emergência da Baía de Guanabara (PEGB), como a Petrobras e a Hidroclean, trabalhavam nas áreas atingidas pelo óleo. Foram usadas também 15 embarcações dotadas de barreiras absorventes. Até o fim da tarde, a Feema havia retirado pelo menos 1,2 tonelada de óleo da Baía de Guanabara. Já a Clin retirou das praias 34 caminhões carregados de areia contaminada, o que corresponde a mais de 230 toneladas de areia e óleo.
Segundo o ambientalista Elmo Amador, o vazamento é um indício da negligência com que é feito o trabalho de prevenção de acidentes ambientais:
Desde o acidente provocado pela Petrobras em 2000, várias medidas reduziram o volume de óleo que chega diariamente à baía. Mas isso não é suficiente. As embarcações têm que passar por um controle maior e mais rigoroso.
Ele afirma que esse tipo de acidente causa um grande impacto nos locais atingidos, pois contamina a água, afeta a função ecológica das praias, do fundo e dos costões da Baía de Guanabara, e prejudica a atividade econômica:
Presidente da Comissão estadual de Meio Ambiente da Alerj, o deputado Carlos Minc disse que vai convocar todos os órgãos e empresas do PEBG para discutir ações preventivas que possam evitar acidentes desse tipo na baía.
O Globo, 05/09/2005, p. 12
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