Jornal do Brasil-Rio de Janeiro-RJ
Autor: Hugo Marques
04 de Mai de 2003
Até setembro, 13 bases da Polícia Federal serão construídas na região
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, viajou à Região Norte
Como parte da luta contra o narcotráfico e a ação da guerrilha colombiana, a Polícia Federal está preparando um cadastro com fotos digitais de índios e ribeirinhos na divisa do país com a Colômbia. A meta do cadastro é chegar a 30 mil pessoas, inclusive nas fronteiras com Peru e Bolívia. A PF vai construir até setembro 13 novas bases na região. Atualmente existem 10 bases na fronteira com a Colômbia. Para acompanhar esse trabalho o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, viajou esta semana à região.
O cadastro com fotos é iniciativa do setor de inteligência policial para ter maior controle da área. Até agora, embora tenha dados de 11 mil pessoas, a PF não tinha fotos delas. O novo trabalho começou a ser feito principalmente nas áreas onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tentam recrutar índios para a guerrilha. Em Melo Franco, no Extremo-Oeste do Amazonas, na divisa com a Colômbia, foi inaugurada nova base da PF.
O chefe da base, Geraldo de Castro Neto, está levantando a árvore genealógica das famílias de índios tucanos da região e quer montar um mapa visual no computador. A PF suspeita que adolescentes tenham sido cooptados pelas Farc, que tem um acampamento a 20km da fronteira com o Brasil. Também serão fotografadas as pessoas que cruzarem a fronteira.
O cadastro tem, ainda, a função de evitar que a população pobre seja cooptada por traficantes. Recentemente, um agricultor deixou a mulher grávida com 10 filhos num assentamento do Incra, no Amazonas, para supostamente servir de mula para traficantes. Ele é acusado de transportar 10kg de heroína, encontrados num aparelho eletrônico. Para levar a droga a Tabatinga, o pai de família receberia R$ 100. A droga vale US$ 600 mil, segundo a polícia. Um delegado admite que o agricultor é ''uma vítima miserável'' do tráfico.
Os índios temem a presença das Farc na região e apóiam o trabalho da PF. Segundo o cacique tucano Cassimiro Fernandes, a região é pouco assistida pelo governo federal. Ele diz nunca ter visto um técnico do Incra na aldeia. Os índios são carentes e não têm assistência técnica para criar peixes ou para plantio de subsistência. O último técnico da Funai, diz ele, passou pela área há quatro anos. A aldeia está a aproximadamente 1,1 mil quilômetros de Manaus.
Serão construídas este ano duas novas bases na divisa com a Colômbia, quatro na divisa com a Venezuela e sete na fronteira com o Peru, todas a serem inauguradas até 29 de setembro. A fronteira com o Paraguai ganhará bases no ano que vem. PF e Exército vão assinar convênio para um trabalho integrado contra o tráfico. As equipes terão policiais federais para o policiamento e soldados do Exército para apoio logístico.
Dentro de 60 dias, entra em funcionamento a fase do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) esperada pela PF. Os agentes vão receber informações em tempo real sobre as rotas de aviões na Amazônia. Segundo o delegado Mauro Spósito, chefe da operação, as novas bases e o funcionamento desta etapa do Sivam representarão um golpe no narcotráfico. Ele diz que estas ações terão impacto nos grandes mercados atacadistas da droga do país.
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