Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: JOSÉ EDUARDO RONDON
28 de Set de 2005
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira dois tuxauas (líderes indígenas), em Roraima, acusados de participação em um incêndio criminoso que destruiu um centro social localizado dentro da reserva Raposa/Serra do Sol, no nordeste do Estado. Um dos índios presos, Genival Costa da Silva, é vereador do PFL na cidade de Pacaraima.
Segundo o superintendente da PF de Roraima, José Francisco Mallmann, um dos índios da comunidade tentou agredir um agente no momento da prisão --na região de Pacaraima (219 km de Boa Vista)-- e levou um tiro de borracha na perna.
Os tuxauas Genival Costa da Silva e Fernando da Silva Salomão foram
indiciados por formação de quadrilha, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e dano qualificado, segundo a Polícia Federal.
No dia 17 de setembro, um grupo com cerca de 100 homens encapuzados invadiu o Centro de Formação Cultural Raposa/Serra do Sol, em Pacaraima, e ateou fogo no local.
Uma igreja, um posto de saúde, parte de um alojamento e um refeitório foram destruídos pelo fogo. Um professor que dá aulas a crianças índias foi espancado pelo grupo, de acordo com o CIR (Conselho Indígena de Roraima) --que acusou indígenas cooptados por arrozeiros da região como autores da ação.
O advogado que representa os dois índios presos, Luís Waldemar Albrecht, disse que seus clientes "não tiveram nenhuma participação no caso". De acordo com ele, no final da tarde de hoje, enquanto aguardava o término do depoimento de Costa da Silva na sede da PF em Boa Vista, as prisões foram decretadas pela Justiça.
A homologação da reserva, realizada no dia 15 de abril, é motivo de conflito no Estado. Arrozeiros que têm fazendas na área, e terão de ser realocados, e índios que são favoráveis à presença dos produtores na reserva se posicionam contrários ao decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O vereador Genival Costa da Silva é tuxaua da comunidade do Contão, que fica dentro da reserva indígena. Naquele local, após a homologação, quatro agentes federais foram mantidos reféns por índios contrários à medida do governo federal.
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