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PF prende 61 acusados de retirada ilegal de madeira

O Globo, O País, p. 10
30 de Abr de 2008

PF prende 61 acusados de retirada ilegal de madeira
Entre os presos, há 29 servidores públicos de órgãos do meio ambiente de MT e policiais

Anselmo Carvalho Pinto

A Polícia Federal prendeu ontem em Mato Grosso 61 pessoas acusadas de organizar um esquema para retirada e transporte ilegal de madeira da Amazônia. Entre os acusados, há 29 servidores públicos ligados aos órgãos do meio ambiente do estado e policiais. Por meio de escutas telefônicas, a PF descobriu que um dos acusados ordenou o assassinato de desafeto. A Justiça Federal expediu 67 mandados de prisão e 58 de busca e apreensão em 14 cidades de Mato Grosso.
0 esquema era dividido em três núcleos: Policia Rodoviária Federal, Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) e Secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema), segundo o delegado Carlos Eduardo Fistarol; 12 madeireiros também tiveram a prisão decretada, sendo que três já haviam sido presos durante a Operação Curupira, desencadeada em 2005, também para combater o desmatamento ilegal em Mato Grosso.
Valor mínimo de propina paga era de R$ 500
Os primeiros investigados foram a advogada Silvana Moraes Valente e o marido, o ex-policial rodoviário federal Marconiel Pouso de Amorim. Eles são acusados de contactar outros policiais rodoviários, além de militares e civis, para permitir, com pagamento de propina, o trânsito de carregamento irregular de madeira. Os valores variavam conforme o tamanho da carga, mas nunca eram inferiores a R$ 500. Ao todo 15 policiais tiveram a prisão decretada.
A partir dessa investigação, a PF chegou a outros esquemas na Sema e no Indea, também relativos ao transporte ilegal de madeira.
Operação começou em maio do ano passado
No órgão ambiental, funcionários públicos recebiam propina para facilitar a concessão de planos de manejo e licenças ambientais. Também foi apurado que servidores receberam vantagens financeiras para reduzir as multas por desmatamento ilegal, ao valor mínimo previsto em lei. A Justiça decretou a prisão de quatro deles.
No Indea, dez servidores foram presos, acusados de cobrar dinheiro para fraudar os Certificados de Identificação de Madeira (CIM) e, assim, acobertar a exploração ilegal de madeira.
A ação foi batizada de Termes - que em latim significa verme e dá origem à palavra térmite (cupim) - e começou em maio de 2007. Nesse período, a PF fez oito flagrantes de carregamento ilegal, totalizando cerca de 100 metros cúbicos de madeira.
Os acusados foram indiciados por corrupção, formação de quadrilha e exploração de prestígio. A PF não informou a quantidade de madeira retirada ilegalmente da Amazônia, nem o valor do prejuízo causado pela redução das multas aplicadas pela Sema.
Especial para O Globo

O Globo, 30/04/2008, O País, p. 10

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