OESP, Vida, p. A16
30 de Abr de 2008
PF prende 61 acusados de explorar madeira ilegal
Nelson Francisco
Em nova operação para reprimir crimes ambientais na Amazônia, a Polícia Federal prendeu ontem em Mato Grosso 61 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que facilitava o transporte irregular e a exploração ilegal de madeira. O grupo, investigado desde maio de 2007, era formado por servidores públicos estaduais, policiais rodoviários federais, madeireiros e advogados.
Entre os detidos, são acusados de integrar a quadrilha 29 servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) e da Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema), além de 10 da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outros 12 madeireiros. As prisões foram decretadas pelo juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça Federal em Cuiabá, a pedido do Ministério Público Federal.
Segundo o delegado da Polícia Federal, Carlos Eduardo Fistarol, o esquema seria comandado por uma advogada e começaria na Sema. Lá, funcionários envolvidos são acusados de agilizar processos de licenciamento para exploração florestal, liberando em apenas dois dias ações que demorariam até 40 dias.
Em seguida, servidores do Indea adulteravam a classificação da madeira extraída, permitindo o transporte de espécies nobres como sendo comuns, sem chamar a atenção de policiais da PRF em outros Estados. Os policiais aparecem nas investigações acusados de fazer vista grossa aos certificados irregulares. Eles estariam liberando caminhões com cargas de madeira ilegal, que saíam do norte de Mato Grosso.
A cada caminhão de madeira liberado, o policial de plantão envolvido recebia R$ 500, de acordo com as investigações.Denominada Termes - expressão latina que significa "verme'' -, a operação mobilizou 250 policiais federais e 20 da Força Nacional de Segurança para cumprir ainda 58 mandados de busca e apreensão em 14 municípios de Mato Grosso.Segundo a PF, o esquema em Mato Grosso foi descoberto a partir da deflagração da Operação Arco de Fogo, que visa a reprimir crimes ambientais na floresta amazônica, e consistia na facilitação em todas as fases do processo de comercialização de madeira.
OESP, 30/04/2008, Vida, p. A16
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