VOLTAR

PF ouve amanhã índios que invadirem a sede da Funai

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
18 de Mai de 2004

O delegado Federal Eduardo Alexandre Fontes, que preside inquérito policial que apura a invasão da sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) começa amanhã a ouvir os depoimentos dos indígenas, acusados de ocuparem o prédio da administração regional do órgão em Boa Vista.

Os índios contrários à homologação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol na segunda-feira invadiram o prédio tentando forçar uma audiência com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Alexadre Fontes disse que, temendo que os índios não compareçam à audiência na Superintendência da PF, na avenida Ville Roy, Caçari, preferiu não divulgar os nomes dos índios que irão prestar depoimento.

"São dois líderes do movimento", afirmou, por telefone, o delegado, que deverá ouvir os líderes da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidcir), Associação dos Rios Kinô, Contigo e Monte Roraima (Arikon) e Conselho do Povo Ingaricó (Coping).

Com base no depoimento do servidor José Milamar Custódio da Silva, que garantiu ter sido refém dos indígenas, o presidente do inquérito a princípio vai indiciar os índios por cárcere privado.

Além de Milamar, o delegado da PF ouviu na semana passada os servidores Jânio Uchôa da Silva e Maria de Nazaré Bento. Alexandre Fontes deverá receber nesta semana o relatório dos peritos que na manhã de ontem estiveram na sede administrativa da Funai.

FUNAI - Os trabalhos voltaram ao normal ontem na sede da Funai. Depois de uma semana de folga, forçada pela invasão dos índios contrários à homologação da Raposa/Serra do Sol, que por seis dias ocuparam o prédio do órgão, os funcionários voltaram ao trabalho.

Na manhã de ontem, peritos da Polícia Federal, acompanhados do administrador regional da Funai, Manuel Tavares, vistoriaram o prédio. Eles devem entregar ao delegado federal Eduardo Alexandre Fontes, que preside o inquérito policial que apura a invasão do órgão, um relatório a respeito da ocupação.

Funcionários do órgão não sabem informar se os índios mexeram em documentos do órgão, principalmente da sala do administrador, onde eles montaram uma espécie de quartel general.

Os funcionários afirmaram que da sala do administrador regional os índios realizaram uma série de ligações, principalmente para Brasília, quando mantiveram contato com Gilberto Macuxi, em Brasília, tentando marcar uma audiência com o presidente da República.

MEDO - Uma funcionária do órgão, que preferiu não se identificar, já pensa em pedir sua transferência para outra instituição federal. Ela disse que na manhã da última segunda-feira, 10, trabalhava normalmente quando foi surpreendida por índios entrando no prédio e mandando todos saírem.

"Não temos segurança nenhuma aqui", disse a funcionária, afirmando que administração pelo menos deveria ter uma segurança na entrada do prédio, que pela segunda vez foi tomado com a maior facilidade pelos índios.

"Fiquei apavorada e não pensei duas vezes para atender a ordem deles", relembrou, afirmando que nunca imaginou que passaria por uma situação como a de segunda-feira. "Nunca mais vou esquecer. Pensei que eles iriam nos manter reféns aqui", acrescentou.

SILÊNCIO - A Folha manteve contato, ontem pela manhã, com o administrador regional Manuel Tavares, mas ele foi taxativo ao afirmar que não se manifestaria a respeito da invasão do órgão. (E.F.)

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.