CB, Brasil, p.18
27 de Jun de 2004
PF liberta 13 escravos no Pará
Agentes da Polícia Federal descobriram trabalho escravo numa fazenda da Gleba 55, em Anapu, no sudoeste do Pará. A fazenda pertence a Regivaldo Galvão, conhecido por Taradão, um dos envolvidos nas fraudes contra a extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Era ele quem emprestava dinheiro a juros aos empresários que recebiam financiamentos.
Entre os treze trabalhadores rurais libertados e levados para a cidade de Altamira havia mulheres e criança.
O Pará é o estado recordista em trabalho escravo no Brasil. Segundo estimativa do Ministério do Trabalho, existem cerca de 25 mil bóias-frias mantidos em regime de escravidão na zona rural paraense. No início do ano, o secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, escolheu o estado para lançar uma campanha nacional de erradicação do trabalho forçado.
Todos os trabalhadores libertados ontem moravam em barracas no meio da mata e trabalhavam em situação precária, sem local para descansar ou para fazer refeições. Os trabalhadores contaram ao delegado da PE, José Mário, que foram contratados por Galvão para desmatar uma área da fazenda e transformá-la em pasto.
Fiscais do Ibama que acompanham a PF na Operação Presença na região da Transamazônica constataram que Galvão não tinha licença para desmatar o local e apreenderam 40 metros cúbicos de madeira das espécies ipê, angelim e melancieira. 0 fazendeiro será processado por crime ambiental e deve pagar multa ainda a ser estipulada. Galvão tentou desmentir os trabalhadores, dizendo ao delegado que a fazenda não mais lhe pertence. Ele tentou argumentar que teria vendido a área para outro empresário da região, mas não apresentou qualquer documento. José Mário disse que o caso será investigado.
A área onde estão localizadas dezenas de fazendas em Anapu pertenceria à União Federal e será utilizada pelo Incra para a implantação do primeiro projeto de desenvolvimento sustentado na Amazônia administrado por associações de agricultores sem-terra.
Por ordem do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a Polícia Federal deve permanecer em Anapu para intensificar o combate à grilagem de terras e derrubada ilegal da floresta. Ontem, durante nova operação da PF, foi preso um dos seguranças da Fazenda Cospel, área onde ocorreu um conflito recentemente, que resultou na morte de uma pessoa.
Segundo o delegado, o segurança é funcionário de uma empresa privada, mas portava uma arma ilegalmente. "A empresa naquele local está totalmente irregular e os vigilantes estão sem carteira e sem curso, o que é obrigatório."
CB, 27/06/2004, p. 18
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.