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PF investiga poluição no Rio Muriaé

O Globo, Rio, p. 17
07 de mar de 2006

PF investiga poluição no Rio Muriaé

Aloysio Balbi

CAMPOS. A Polícia Federal de Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades por crime ambiental no vazamento de 400 milhões de litros de lama de argila misturada com óxido de ferro e sulfato de alumínio por causa do rompimento de uma barragem da Mineradora Rio Pomba, em Miraí (MG). A lama atingiu o Rio Muriaé, que banha quatro cidades do Noroeste Fluminense (Laje do Muriaé, Itaperuna, Italva e Cardoso Moreira) e deve chegar ao Paraíba do Sul, passando por Campos e São João da Barra, no Norte Fluminense.
A presidente da Feema, Isaura Fraga, disse ontem que o pior já passou. O abastecimento de água em Laje do Muriaé, que ficou três dias suspenso, já está sendo normalizado, assim como em Itaperuna. Segundo ela, as chuvas de domingo e a abertura das barragens de três empresas particulares de Minas ajudaram a dissipar a lama, permitindo que a Cedae fizesse a captação e o tratamento da água para distribuir à população.
- Estamos tranqüilos porque os exames mostraram que a mancha não é tóxica. O problema é o tratamento da água por causa de densidade da mancha. Agora ela perde força e os municípios de Italva, Cardoso Moreira, Campos e São João da Barra não devem sentir os efeitos. Estamos pedindo à Procuradoria Geral do Estado que entre com uma ação para que a mineradora pague um estudo para avaliar o que precisa ser feito e que tipos de seqüelas esse acidente deixará - disse a presidente da Feema.
Diretores de mineradora terão que depor na PF
Segundo o titular da PF em Campos, delegado Ronaldo Menezes, peritos estiveram neste fim de semana na área atingida. Diretores da Mineradora Rio Pomba serão chamados a depor. A PF aguarda uma série de laudos técnicos de diferentes órgãos ambientais.
O prefeito de Itaperuna, Jair Bitencout, disse que não decretou estado de emergência, conforme informação passada por técnicos da Feema na quinta-feira, quando o vazamento foi detectado. Segundo Bittencourt, a crise foi enfrentada com medidas de emergência, mas oficialmente não houve necessidade do decreto. Ele confirmou que foram suspensas em Itaperuna a captação de água nos distritos de Comendador Venâncio, Retiro e Aré, enquanto na área urbana do município o abastecimento foi reduzido em apenas 20%.
- A Cedae foi de grande competência fazendo manobras e isso permitiu garantir o abastecimento da cidade. Houve apenas uma pequena redução. Houve uma grande operação no fim de semana porque também ajudamos nosso vizinho, o município de Laje do Muriaé, este sim atingido de forma contundente - disse o prefeito, acrescentando que o quadro na cidade é de tranqüilidade e normalidade.
O superintendente da Cedae em Itaperuna, Jaime Ferreira, confirmou que o abastecimento teve uma redução de 20% na área urbana no domingo, mas ontem pela manhã já estava tudo normal. Acrescentou que o abastecimento em Laje do Muriaé já foi retomado.
Em Campos a maior cidade do Norte Fluminense, a única que tem o serviço de tratamento de água privatizado, a concessionária garante que a mancha se tornará imperceptível antes mesmo de chegar ao Rio Paraíba. A empresa vem monitorando a crise desde o inicio fazendo projeções e garante que o abastecimento na cidade não correr o menor risco de ser interrompido.

O Globo, 07/03/2006, Rio, p. 17

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