OESP, Nacional, p.A12
27 de Ago de 2004
PF indicia o 3.o assessor de Braga no Amazonas
Secretário de Fazenda é acusado de envolvimento com esquema descoberto pela Operação Albatroz
Paulo Roberto Pereira
Especial para o Estado
MANAUS - A Polícia Federal indiciou ontem o secretário de Fazenda do Amazonas, Isper Abraim, por envolvimento no esquema de favorecimento e desvio de recursos por meio da Comissão-Geral de Licitação do Estado. Com isso, agora são três auxiliares diretos do governador Eduardo Braga (PPS) acusados pela Operação Albatroz da PF.
Foram indiciados terça-feira o secretário de Governo, Ari Moutinho, e o ex-secretário de Obras Bosco Saraiva, candidato a vice-prefeito na chapa do ex-governador Amazonino Mendes (PFL). Todos são suspeitos de ligação com o esquema de desvio de recursos, que seria liderado pelo deputado Antônio Cordeiro (sem partido). Os responsáveis pela Operação Albatroz calculam que o esquema desviou mais de R$ 500 milhões nos últimos dois anos.
Na quarta-feira, a PF intimou Ubiracy Bezerra de Araújo, motorista particular de Braga há mais de 20 anos. O conteúdo do depoimento não foi divulgado. Araújo, conhecido como Bira, ficou famoso no início do governo Eduardo Braga, quando se descobriu que seu salário chegava a R$ 11 mil, graças ao acúmulo de cargos como "conselheiro" em várias comissões estaduais.
O governador, na ocasião, explicou que essa era uma forma de remunerar melhor seus auxiliares de confiança. Mas a polêmica acabou provocando a saída de seu irmão, José Carlos Braga, que era secretário estadual de Administração.
Uso político - Ontem Eduardo Braga classificou de absurdo o indiciamento de pessoas ligadas a ele e garantiu que se trata de uma questão de oportunismo político, de uso político de uma investigação que "já é fartamente conhecida pela sociedade". Segundo o governador, a situação no Estado era de absoluta normalidade jurídica até que anunciou seu apoio a Amazonino na eleição. "A partir daí começou esta série de denúncias", reclamou.
Ele disse que vai aguardar o relatório do inquérito da PF para saber exatamente o que está acontecendo. "Estamos surpresos com a forma como está sendo conduzido este processo", disse. "O governo não é contrário a qualquer investigação sobre crimes cometidos por qualquer pessoa, mas desconheço o envolvimento deles com eventuais atividades ilícitas atribuídas a outras pessoas acusadas no inquérito."
OESP, 27/08/2004, p. A12
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.