OESP, Vida, p. A24
19 de Out de 2007
PF descobre venda ilegal de madeira
Quadrilha enviava a outros países matéria-prima para instrumentos
Eduardo Kattah
A Polícia Federal, com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais e do Instituto Estadual de Florestas (IEF), começou ontem em seis Estados (MG, ES, SP, RJ, BA e PI) e no Distrito Federal a Operação Wood Stock, para desarticular uma quadrilha especializada na extração e exportação ilegal de madeira jacarandá-da-Bahia (Dalbergia nigra), usada na fabricação de instrumentos musicais. Até o fim da tarde, a PF havia cumprido 19 dos 25 mandados de prisão temporária expedidos.
O jacarandá-da-Bahia é classificado pelo Ibama como espécie ameaçada de extinção e sua exploração está proibida. A madeira, encontrada em área de mata atlântica, no sul da Bahia e no norte do Espírito Santo, está também listada na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, acordo internacional para a preservação de espécies.
Foram cumpridas também dezenas de mandados de busca e apreensão. Em vários endereços, a PF recolheu toras e lâminas da madeira nobre, além de instrumentos musicais. A maior parte dos mandados de prisão foi cumprida em Minas. Entre os presos, estão dois policiais militares, acusados de facilitar o esquema.
Apontado como o contrabandista e chefe da organização, Rodrigo Pereira Moreira foi preso na zona sul da capital mineira. Foram apreendidos instrumentos musicais, obras de arte, kits de jacarandá-da-Bahia e uma quantia em dinheiro. Ele tem dupla cidadania (brasileira e americana) e se apresentou como luthier (fabricante artesanal de instrumentos). A PF também pediu buscas em Massachusetts (EUA), onde Moreira tem casa e empresa.
Os kits da madeira (fundos laterais, escalas e cavaletes) eram remetidos para Estados Unidos, Japão e Canadá pelo correio. A madeira também era enviada por navios em contêineres. "Fizemos uma consulta aos Correios, e nos informaram que nos últimos quatro anos ele exportou mais de 13 toneladas e, só de tarifa postal, gastou quase R$ 500 mil", disse Tatiana Alves Torres, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF.
Os kits eram vendidos nos EUA por cerca US$ 400 e um violão podia ser comercializado pelo valor de US$ 5 mil a até US$ 10 mil. A quadrilha disponibilizava na internet informações e instrumentos para venda e aceitava encomendas pelo endereço eletrônico.
OESP, 19/10/2007, Vida, p. A24
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