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PF contesta presidente da Funai

Jornal do Brasil (Rio de Janeiro - RJ)
10 de Jun de 2003

Eduardo Almeida acusa índios de ameaça, pede proteção e é ignorado por delegado federal

Eduardo Almeida, presidente da Funai, entre dois índios na posse: clima ameno antes dos conflitos

Alegando ter sido ameaçado de morte no seu gabinete, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eduardo Almeida, acusou um grupo de xavantes de ''insufladores de atos criminosos'' e solicitou providências da Polícia Federal para puni-los. Mas o delegado encarregado do caso se recusou a indiciar os índios e ainda questionou Almeida sobre a ''eficiência'' da Funai para lidar com conflitos indígenas.

O incidente ocorreu na última terça-feira, na sede da Funai, quando Almeida tentava pacificar uma briga entre grupos da tribo. No dia seguinte, o presidente da Funai enviou fax ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e à PF, dizendo ter sido ameaçado pelos índios.

Um dos índios, sustenta Almeida, disse ser ''doido e corajoso o suficiente'' para pegar uma faca e cortar a garganta do presidente da Funai. Almeida diz ainda que alguns índios portavam volumes no bolso, ''que especulo possam ser arma de fogo'', relata no fax enviado.

A Funai, continua Almeida, ''não pode ficar refém de situações dessa natureza, e os responsáveis, articuladores, insufladores e incentivadores desses atos criminosos precisam urgentemente ser identificados e devidamente indiciados''.

Quatro xavantes ouvidos pela PF negaram a ameaça e disseram que não portavam armas. Um deles, Arnaldo Tserrerõwe, diz que o presidente da Funai é jornalista e não sabe o que acontece com os índios.

O administrador Regional da Funai em Goiânia, Edson Silva Beiriz, acompanhou a audiência dos xavantes no gabinete da presidência da Funai. Em seu depoimento à PF, Beiriz confirma a versão dos índios e diz que o grupo estava revoltado era com a administração do órgão em Nova Xavantina (MT). Beiriz diz não ter presenciado ameaças ao presidente da Funai.

Os índios, explica Beiriz, estão com os ânimos exaltados e o fato de a Funai ter levado o caso à PF ''é extremamente preocupante'', pois pode causar desdobramentos regionais. Quanto às supostas armas, diz Beiriz, eram equipamentos que fazem parte da ''indumentária'' dos índios.

Em seu parecer, a PF informa estar impossibilitada de instaurar procedimento policial. O parecer da PF é assinado pelo corregedor regional de Polícia em exercício, Wenderson Braz Gomes. No documento, o delegado diz que seria irresponsabilidade da PF indiciar os índios com base em fax da Funai, podendo causar instabilidade entre os grupos indígenas. No parecer, a PF vê o problema como um conflito interno entre etnias, ''no qual ficou a desejar uma atuação mais eficiente do órgão responsável'' na busca do entendimento entre os índios.

Eduardo Almeida foi convocado pela PF para esclarecer melhor as supostas ameaças narradas no fax. Ao Jornal do Brasil, Almeida disse ter ficado preocupado após receber ameaças porque um dos índios que estava no gabinete, Bruno Omore, ''já foi preso por matar o sogro e a sogra''. Bruno negou o crime. Ele admite que foi acusado e que está em liberdade condicional desde março de 2000.

- Mas nada foi provado. Compareci na Justiça sempre que fui chamado - diz Bruno.

O conflito entre os índios passou para a esfera da Procuradoria Geral da República. A subprocuradora Ela Wiecko está acompanhando o caso.

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