CB, Brasil, p.21
04 de Mar de 2004
MEIO AMBIENTEPetrobras poluiu mais em 2003Presidente em exercício da estatal atribui aumento do derramamento de óleo no mar, baías e rios à ampliação das operações da empresa. Vazamento subiu de 197 mil litros, em 2002, para 276 mil, ano passado
Salvador (BA) Em 2003, a Petrobras derramou, acidentalmente, no Oceano Atlântico, baías e rios do país mais de 276 mil litros de óleo. O percentual de vazamento foi 41% superior ao registrado no ano anterior, quando o total de óleo despejado no meio ambiente ficou em torno de 197 mil litros. Os números foram divulgados ontem pelo presidente em exercício da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, na abertura do seminário Petróleo, Meio Ambiente e Imprensa, em Salvador. Gabrielli tem uma justificativa para o aumento. Segundo ele, a diferença se deve às operações da Petrobras Energia, ex-Pecom, na Argentina. A empresa foi adquirida no final de 2002. O executivo disse ainda que a meta da empresa é reduzir os vazamentos de óleo em 41% nos próximos quatro anos, e em 70% em uma década. A Petrobras é veterana em acidentes ecológicos. Em 2000, a empresa bateu o próprio recorde e despejou 5,8 milhões de litros de substâncias químicas na natureza. Só em janeiro daquele ano, um acidente na Baía de Guanabara (RJ) jogou 1,3 milhão de litros de óleo no meio ambiente. Sem acompanhamento Nenhum órgão do governo computa a quantidade de óleo derramada na natureza. No Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a justificativa é que esse acompanhamento deve ser feito pelas secretarias estaduais, que expedem a licença para as empresas funcionarem. Na Coordenação de Controle e Qualidade Ambiental do Ibama, consta que, em 2003, houve 28 derramamentos de óleo, envolvendo empresas de petróleo. Um vazamento causa danos ao meio ambiente, porque destrói a fauna e a flora aquática e marinha. Além disso, compromete o turismo, prejudicando a economia, diz Márcio Freitas, do Ibama. A organização não-governamental Ambiente Brasil monitora vazamentos de óleo no mundo todo. No Brasil, de acordo com o último relatório divulgado pela ONG, de 2000 até fevereiro deste ano foram registrados 56 acidentes ambientais. Isso representa um aumento de 400% em relação a década de 90. Em mais de quatro anos, vazamentos em dutos, navios e depósitos de rejeitos industriais despejaram 12,2 bilhões de litros de produtos químicos tóxicos em córregos, rios e terrenos. Em toda a década passada, foram 6 bilhões de litros. Valor da preservação Para o ambientalista da WWF, Roger Wallace, o aumento excessivo no número de desastres ocorre porque o governo não fiscaliza com eficiência, nem atua com programas de prevenção e proteção à ecologia. Além disso, as empresas não incorporaram às suas atividades o valor da preservação. Com o intuito de reduzir a quantidade de vazamento de óleo no meio ambiente, a Petrobras investiu, em um ano, mais de R$ 5 bilhões no Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional. Como resultado, toda a malha principal de dutos da estatal, numa extensão de mais de 7 mil quilômetros, conta hoje com supervisão e controle automatizados. Isso significa que o transporte de produtos pode ser imediatamente interrompido ao serem detectadas anomalias, reduzindo-se o risco de danos ambientais.
O repórter viajou a convite da Revista Imprensa
Outros crimesJaneiro de 2000 O rompimento de um duto da Petrobras, que liga a Refinaria Duque de Caxias ao terminal da Ilha dÁgua, provoca o vazamento de 1,3 milhão de óleo combustível na Baía de Guanabara. A mancha se espalha por 40 quilômetros quadrados. Março de 2000 O navio Mafra, da Frota Nacional de Petróleo, derrama 7.250 litros de óleo no canal de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. A Cetesb multa a Petrobrás em R$ 92,7 mil. Junho de 2000 Nova mancha de óleo de um quilômetro de extensão aparece próximo à Ilha dÁgua, na Baía de Guanabara. Dessa vez, 380 litros do combustível são lançados ao mar pelo navio Cantagalo, que presta serviços à Petrobras. Julho de 2000 Um vazamento de 4 milhões de litros de óleo da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, região metropolitana de Curitiba, contamina as águas e os solos e mata animais. Maio de 2002 O navio Brotas da Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, derrama cerca de 16 mil litros de petróleo na baía de Ilha Grande, região de Angra dos Reis, Rio. Junho de 2002 Um tanque de óleo se rompe no pátio da empresa Ingrax, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, deixando vazar 15 mil litros. Junho de 2002 Um tanque de óleo se rompe no pátio da empresa Ingrax, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, deixando vazar 15 mil litros da substância. Agosto de 2002 Três mil litros de petróleo vazam de um navio de bandeira grega em São Sebastião, São Paulo. Junho de 2003 Vazam aproximadamente 25 mil litros de petróleo no Pier Sul do Terminal Martin Almirante Barroso, localizado em São Sebastião, pela Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras. Fevereiro de 2004 Vazamento de óleo cru polui o rio Guaecá e a praia de mesmo nome, em São Sebastião. Ainda não se sabe a quantidade de óleo que vazou.
MEMÓRIAO acidente mais grave O maior acidente ambiental do Brasil aconteceu em março do ano passado e afetou os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um vazamento de 1,5 milhão de litros de soda cáustica da represa de dejetos químicos da indústria mineira Cataguazes Papéis contaminou um córrego do município de Cataguazes (MG). A mancha tóxica invadiu as águas dos rios Pomba e Paraíba do Sul, que cortam a região norte do Rio. Uma semana depois do vazamento, a mancha tóxica chegou ao mar. A contaminação dos dois rios deixou 800 mil pessoas sem água em sete municípios fluminenses. Milhares de peixes morreram e mais de 2 mil pescadores ficaram proibidos de pescar na região. O transtorno causado à população e as perdas econômicas para os pescadores são apenas uma face do crime ambiental. Especialistas em ambiente dizem que os prejuízos para o ecossistema da região são irreversíveis.
CB, 04/03/2004, p. 21
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