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Pesquisadores identificam novas espécies de anfíbio em Roraima

Portal Amazônia - http://portalamazonia.com
16 de Mar de 2015

Os anfíbios, nunca antes descritos pela Ciência, vivem nas serras da região; uma das espécies pode estar extinta

Expedições realizadas às serras do estado de Roraima, identificaram duas novas espécies de anuros na Amazônia. Na Serra do Tepequém está o Anomaloglossus tepequem, e na Serra do Apiaú, o Anomaloglossus apiau. No entanto, um dos animais pode ter sido extinto. As duas serras sofrem pressão por ocupação humana através da agricultura e da pecuária. As incursões contaram com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) que publicaram artigo sobre as novas espécies na revista científica Zootaxa.

O primeiro contato da Ciência com a nova espécie aconteceu na década de 1990. Na ocasião, pesquisadores coletaram espécimes e reuniram informações sobre o A. tepequem, mas não foi possível confirmar que se tratava de uma espécie nunca antes descrita. Na Amazônia, existem 600 espécies de anuros identificadas. Esta ordem taxonômica abrange anfíbios como rãs, sapos e pererecas.

Na primeira incursão, liderada pelo herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues, aconteceu em dezembro de 1992 na Serra do Tepequém. No local, os pesquisadores notaram a presença abundante de um pequeno anfíbio nos riachos da região. Mas como ainda não se conhecia bem a taxonomia do gênero Anomaloglossus, a qual pertence o anfíbio, não foi possível ter certeza de que se tratava de uma nova espécie.

A segunda incursão ocorreu em maio de 2011. O objetivo, era confirmar a suspeita de que Miguel Trefaut havia descoberto uma nova espécie. Mas os pesquisadores não encontraram nenhum exemplar de A. tepequem. "Depois de um esforço muito grande, não acharam nenhum", conta o herpetólogo Sérgio Marques Souza. "Achamos que ele esteja provavelmente extinto, pelo menos até que sejam feitos mais esforços para encontrá-lo novamente", completa.

A descrição da nova espécie só foi possível com a união de esforços e conhecimentos de especialistas em anfífios. "De volta ao laboratório, examinei os espécimes coletados nos anos 1990 e pedi a expertise do [herpetólogo] Philippe Kok, com experiência sobre as espécies de Tepuis, que confirmou que se tratava de uma nova espécie", conta Antoine Fouquet, um dos responsáveis pela descoberta.

Primos

Mesmo com a frustração de não terem encontrado o A. tepequem, os pesquisadores não voltaram de mãos vazias. Alguns quilômetros ao Sul, da Serra do Tepequém, a expedição localizou, na Serra do Apiaú, o Anomaloglossus apiau, um primo do anuro de Tepequém. A espécie também era desconhecida pela Ciência.

A distribuição desta espécie é bastante restrita. "Por volta de altitudes próximas dos 500 metros, começamos a encontrar o Anomaloglossus", conta o herpetólogo Sérgio Souza. "Ele não existe abaixo dessa altitude, então está isolado à Serra", completa.

Para se ter uma ideia, outra expedição à Serra da Maroquinha, que fica bem perto do Apiaú, não encontrou a espécie, confirmando que ela tem uma distribuição bastante restrita.

"Eu imaginei que com a publicação desse trabalho, alguma coisa fosse feita para proteger a região", diz Sérgio Souza. Infelizmente, segundo o próprio pesquisador, as notícias não são muito promissoras. A região do Apiaú sofre constantemente pressão da agricultura e da pecuária.

A serra, localizada numa cadeia de montanhas que se elevam entre 100 até mais de 1400 metros de altitude, favorece a restrição na distribuição do A. apiau. Devido a isso e também à pressão sofrida pela floresta na região, os pesquisadores sugerem que o A. apiau seja classificado como Criticamente Ameaçado de Extinção.

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