OESP, Vida, p. A16
19 de Jul de 2005
Pesquisadores criticam plano para transpor São Francisco
Cristina Amorim
Ontem de manhã, uma palestra do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, na 57ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Ceará, elevou o debate político à mesma temperatura que a quente Fortaleza. Ao apresentar para um auditório cheio o projeto de transposição do Rio São Francisco, ele escutou diversas críticas e respondeu no mesmo tom.
Quando questionado sobre a saúde do rio, comprometida pelo uso indiscriminado de suas margens, a derrubada de matas ciliares e o despejo de esgoto doméstico e industrial, ele afirmou que o rio "está 'ferrado' não por causa do projeto, mas por causa de um modelo de insustentabilidade usado pelos governos anteriores".
A outro espectador, que acusou o governo de usar o projeto para fazer um "caixa 2" para as eleições presidenciais, ele afirmou que "não é rato" para fugir do debate. Em tom duro, ele refutou as acusações e disse que, dos R$ 4,5 bilhões disponíveis para o projeto, a ser investido em toda a Bacia do São Francisco, R$ 620 milhões já têm destino certo em obras ou contratos aprovados.
O projeto de transposição do São Francisco prevê levar água para bacias no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Tem recebido críticas constantes de especialistas por não considerar fatores socioambientais e pelo governo ter passado por cima de posições negativas de órgãos oficiais, como a dos comitês regionais de bacia. Questionado por um membro de um desses comitês, ele se limitou a concordar que um consenso é necessário, mas não admitiu a interrupção do projeto por causa da discordância.
A crise política nacional também foi sentida na abertura da reunião, na noite de domingo, quando militantes do PSTU reclamavam que havia dinheiro para o mensalão, mas não para a educação.
OESP, 19/07/2005, Vida, p. A16
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