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Pesquisador rebate acusação de tráfico de sangue indígena

Agência Câmara-Brasília-DF
Autor: Reportagem - Eduardo Tramarim Edição - Patricia Roedel
07 de Jun de 2005

O professor-adjunto de Antropologia e Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Hilton Pereira da Silva, depôs hoje à CPI da Biopirataria. O pesquisador é suspeito de traficar sangue indígena para o exterior, mas afirmou à CPI que sua associação à biopirataria é um equívoco.
Segundo o antropólogo, há nove anos ele acompanhou como consultor uma equipe de TV a serviço do canal Discovery Channel em jornada à Amazônia. Na viagem, o pesquisador coletou amostras de sangue dos ÍNDIOS caritianas, em Rondônia, com o objetivo de identificar doenças tropicais, a pedido do cacique da aldeia. "No meu entendimento, houve um grande equívoco: o anúncio da venda de material biológico caritiana pela Internet saiu em 1996. E eu estive entre os caritianas também em 1996. A partir daí, criou-se uma confusão. O que tenho feito desde então é tentar esclarecer que a amostra de sangue que eu coletei foi exclusivamente para fazer diagnóstico médico emergencial, porque eles me solicitaram e estavam em situação de saúde precária. O material nunca saiu do Brasil", explicou.
Porém, existe a suspeita de que parte do sangue coletado tenha sido pirateada e faria parte do estoque de material genético que está sendo negociado na Internet pela empresa Coriel Cell. Cinqüenta e quatro frascos do sangue coletado foram recuperados na Universidade Federal do Pará, onde o material genético foi depositado pelo pesquisador. Mas há a suspeita de que seriam mais de 100 amostras, o que levou o Ministério Público de Rondônia a abrir processo contra o pesquisador.
Para o deputado Dr. Rosinha, que integra a CPI, o depoimento foi satisfatório. "Dr. Hilton respondeu a tudo e deixou documentos a essa Comissão. Entendo que as respostas foram satisfatórias e espero que os documentos comprovem o que disse".
Para o pesquisador da UFRJ, o sangue negociado pela Coriel Cell é proveniente da uma visita de pesquisadores norte-americanos à aldeia caritiana em 1991. A equipe esteve na aldeia e teria coletado material genético dos ÍNDIOS, conforme publicado pela revista científica "Human Biology".

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