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Pesquisa traz potencial poluidor da indústria

OESP, Vida, p. A16
04 de Jun de 2008

Pesquisa traz potencial poluidor da indústria
Refino de petróleo, metalurgia e mineração lideram ranking no Rio

Clarissa Thomé

As indústrias de refino de petróleo, metalurgia e minerais não-metálicos (cimento, cerâmica, vidro e gesso) respondem por mais da metade das emissões de dióxido de enxofre (SO2) e particulados finos (PM10) no Estado. E os municípios do Rio, Volta Redonda, Cantagalo e Duque de Caxias são os mais atingidos por esses poluentes.

O resultado faz parte de levantamento inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o potencial de poluição industrial, divulgado ontem.

Com dados de 2003 e a partir de metodologia desenvolvida pelo Banco Mundial, os técnicos do IBGE estimaram o potencial de contaminação do ar pela indústria em todo o Estado do Rio. Depois do projeto-piloto, a idéia é expandir o levantamento para o restante do País.

"Esse levantamento indica e localiza as indústrias poluidoras. É de grande importância para Estados e prefeituras, para direcionar recursos. Ele não dá a medida real da poluição, mas informa a capacidade de poluir", afirma a pesquisadora Rosane Moreno, da coordenadoria de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do IBGE.

De acordo com o levantamento, a indústria fluminense tem o potencial de emitir 83 mil toneladas ao ano de SO2 e 19 mil de PM10 (partículas sólidas ou líquidas muito finas, produzidas pela queima de combustíveis pesados, e muito nocivas ao aparelho respiratório). "São dados teóricos e subdimensionados, e não tenho como comparar com medições feitas por órgãos ambientais. São informações válidas principalmente para regiões do Brasil que não tenham agências ambientais e onde as indústrias não controlam emissões de gases", disse Rosane.

A título de comparação, os pesquisadores ranquearam a emissão de PM10, com dados de 2005. "São Paulo está em primeiro lugar na emissão dessas partículas, com 22% do que é emitido no País, seguido de Minas (21%) e Paraná (9%). O Rio está em sexto lugar, também com 9%."

O Banco Mundial desenvolveu a metodologia IPPS (Industrial Pollution Projection System) para atender países que não têm dados sobre a poluição industrial, mas têm informações detalhadas da indústria. Esse método utiliza parâmetros de emissão de poluentes da indústria americana, e não inclui atividades como termelétricas. Os pesquisadores do IBGE têm planos de adaptar o IPPS à realidade nacional.

OESP, 04/06/2008, Vida, p. A16

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