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Autor: FEARNSIDE, Philip M.
15 de Jun de 2015
Os serviços ambientais representam uma potencial fonte de fluxos financeiros em uma escala que pode ser transformacional na Amazônia [1, 2]. Isto se refere às funções dos ecossistemas na manutenção de valores como a estabilidade do clima e da biodiversidade. Um desses serviços é o papel da floresta amazônica no ciclo hidrológico, que fornece o vapor d'água que gera a precipitação não só na Amazônia, mas também na região centro-sul do Brasil, bem como em países vizinhos [3, 4]. carbono estocado na floresta e no solo, em vez de permitir que ele seja lançado como gases de efeito estufa [5-7]. Apesar da promessa de valor substancial e avanços nas negociações de vários tipos, capturar o valor dos serviços ambientais é ainda, em grande parte, um fator potencial para o futuro, ao invés de um sério concorrente com opções tais como a criação de gado, exploração madeireira e a soja.
A pesquisa tem um papel essencial a desempenhar em acelerar a transição para uma economia fundada na manutenção da floresta em vez de destruí-la. A melhor quantificação dos serviços ambientais prestados pela floresta é uma dessas áreas. Isso envolve a quantificação os impactos da perda de floresta, o outro lado desta moeda sendo o ganho de não desmatar. Outra necessidade de pesquisa é melhorar a compreensão de como reduzir o desmatamento, incluindo as medidas necessárias e seus custos financeiros e outros.
As informações sobre usos alternativos da floresta também são uma parte da necessidade de investigação: subsidiar financeiramente os diversos produtos que podem ser colhidos da floresta de forma sustentável tem um papel potencial como um meio de manter as populações tradicionais, tais como, os seringueiros. Essas populações servem como guardiães das florestas que produzem serviços ambientais muito mais valorosos do que os produtos físicos que poderiam ser extraídos. A destruição social que resulta do pagamento de pessoas para não fazer nada significa que a remuneração monetária não pode ser a escolha para alcançar os dois objetivos essenciais de manter a população humana na floresta e manter a floresta com seus serviços ambientais.
É fácil chegar ao acordo sobre o fato de que os serviços ambientais são importantes e devem ser recompensados de alguma forma. No entanto, como fazer isso não é uma área de tão fácil acordo. Foram feitos progressos nas negociações internacionais, em ambas, na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), mais conhecida como a "Convenção do Clima", e na Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), mais conhecida como a "Convenção de Biodiversidade". No entanto, isto ainda não resultou em fluxos monetários significativos.
As negociações no âmbito da Convenção de Biodiversidade centram-se sobre o estabelecimento de direitos de propriedade intelectual, tais como, o conhecimento tradicional dos povos da floresta com relação às plantas medicinais. Infelizmente, o desenvolvimento e teste de produtos farmacológicos a partir deste conhecimento requerem décadas e não é uma fonte provável de fluxos financeiros com a escala e o tempo necessário para dar ao serviço ambiental um papel importante na manutenção das florestas da Amazônia [8]. As negociações internacionais para evitar a mudança climática, no entanto, está muito mais avançada e tem a maior probabilidade de gerar fluxos monetários com a escala e o tempo que são necessários [9, 10].
NOTAS
[1] Fearnside, P.M. 1997. Environmental services as a strategy for sustainable development in rural Amazonia. Ecological Economics 20(1): 53-70. doi: 10.1016/S0921-8009(96)00066-3
[2] Fearnside, P.M. 2008. Amazon forest maintenance as a source of environmental services. Anais da Academia Brasileira de Ciências 80(1): 101-114. doi: 10.1590/S0001-37652008000100006
[3] Fearnside, P.M. 2004. A água de São Paulo e a floresta amazônica. Ciência Hoje 34(203): 63-65.
[4] Marengo, J.A. 2006. On the Hydrological Cycle of the Amazon Basin: A historical review and current State-of-the-art. Revista Brasileira de Meteorologia 21(3): 1-19.
[5] Fearnside, P.M. 1997. Greenhouse gases from deforestation in Brazilian Amazonia: Net committed emissions. Climatic Change 35(3): 321-360. doi: 10.1023/A:1005336724350
[6] Fearnside, P.M. 2000. Global warming and tropical land-use change: Greenhouse gas emissions from biomass burning, decomposition and soils in forest conversion, shifting cultivation and secondary vegetation. Climatic Change 46(1-2): 115-158. doi: 10.1023/A:1005569915357
[7] Nogueira, E.M.; Fearnside, P.M.; Nelson, B.W.; Barbosa, R.I. & Keizer, E.W.H. 2008. Estimates of forest biomass in the Brazilian Amazon: New allometric equations and adjustments to biomass from wood-volume inventories. Forest Ecology and Management 256(11): 1853-1857. doi:10.1016/j.foreco.2008.07.022
[8] Fearnside, P.M. 1999. Biodiversity as an environmental service in Brazil's Amazonian forests: Risks, value and conservation. Environmental Conservation 26(4): 305-321. doi: 10.1017/S0376892999000429
[9] Fearnside, P.M. 2013. What is at stake for Brazilian Amazonia in the climate negotiations. Climatic Change 118(3): 509-519. doi: 10.1007/s10584-012-0660-9
[10] Isto é uma tradução parcial atualizado de Fearnside, P.M. 2014. Conservation research in Brazilian Amazonia and its contribution to biodiversity maintenance and sustainable use of tropical forests. p. 12-27. In: 1st Conference on Biodiversity in the Congo Basin, 6-10 June 2014, Kisangani, Democratic Republic of Congo. Consortium Congo 2010, Université de Kisangani, Kisangani, República Democrática do Congo. 221 p. http://congobiodiversityconference2014.africamuseum.be/themes/bartik/fi…. As pesquisas do autor são financiadas pelo Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (proc. 304020/2010-9; 573810/2008-7), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) (proc. 708565) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) (PRJ1).
http://amazoniareal.com.br/pesquisa-sobre-conservacao-na-amazonia-12-se…
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