OESP, Economia, p. B3
23 de Ago de 2020
PEQUENO PRODUTOR PARTICIPA DE 'FEIRA ONLINE'
Onisafra criou plataforma onde os agricultores podem vender diretamente para o consumidor, sem passar por atravessadores
Democratizar o acesso e fornecimento de produtos naturais regionais é a proposta da startup Onisafra, idealizada por Macauly Souza de Abreu, de 25 anos, morador de Manaus (AM). Quando criança, no interior, ele acompanhava o trabalho do pai com agricultores e conheceu as dificuldades do setor, em especial o de comercialização e baixo retorno financeiro, situações que continuou vendo ao estudar em colégio agrícola e ao cursar a faculdade de engenharia agrônoma.
Há três anos, ao presenciar os problemas de um amigo que cultiva bananas, teve a ideia de criar uma solução para a venda no segmento agrícola e se juntou a três sócios, entre eles Daniel Bandeira, e nasceu a Onisafra. Após estudos de viabilidade e implantação de sistemas, a plataforma iniciou operações no ano passado. Ela atua com rastreabilidade, comercialização e distribuição de alimentos produzidos por agricultores da região e alguns empreendimentos urbanos que trabalham com hortifrútis.
"Nós criamos feiras digitais online", afirma Abreu. Como os agricultores normalmente só vão ao centro de Manaus para a feira uma vez por semana, os consumidores fazem a encomenda online, que é enviada aos produtores um dia antes e eles trazem os produtos. "A vantagem é que eles já vêm para a cidade com uma garantia mínima de produtos vendidos e certeza de que vão receber o valor", diz. Além disso, podem colher apenas os produtos já vendidos e evitar desperdícios.
Os produtos são entregues na casa do consumidor pela equipe da empresa, que tem dez pessoas nas operações. O consumidor, além da comodidade de não sair de casa, adquire produtos naturais de qualidade e sabe sua origem, até mesmo quem é o produtor. Neste ano, até julho, a Onisafra transacionou cerca de R$ 100 mil para as dez famílias de pequenos agricultores que fazem parte da plataforma.
A venda envolve produtos regionais como açaí, tucumã, goma de tapioca e hortifrútis em geral, eventualmente tem queijos, geleias e plantas comestíveis não convencionais. A startup recebe em média 15% sobre o valor vendido.
"A Onisafra traz diversos benefícios para os agricultores, desde o acesso a novos canais de comercialização, o que gera incremento em sua renda, até receber um preço justo pelos produtos", relata Bandeira. "Esses benefícios são estendidos do agricultor ao consumidor, pois todos fazem parte desse projeto que visa democratizar o acesso e fornecimento de alimentos."
Para voltar ao mercado de São Paulo, a Onisafra criou o Clube Amazônia, em que o interessado faz uma assinatura e todo mês recebe uma "caixa surpresa" com produtos regionais, feitos por fornecedores locais que usam apenas matéria-prima natural. "Teremos uma página específica na plataforma, em parceria com a empresa Amazônia Hub, para esse clube e ela entrará no ar até outubro", informa Abreu.
Antes, a plataforma atuava na capital paulista com um parceiro que comprava e vendia produtos avulsos, como geleias de frutos da Amazônia, chocolates de cacau silvestre e farinha, mas, desde o início da pandemia, o negócio está suspenso.
"Para mim, esse é um projeto de vida. Abri mão de trabalhar para outras empresas e receber salários melhores para focar na Onisafra porque é algo em que eu acredito", diz Abreu.
OESP, 23/08/2020, Economia, p. B3
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