A Crítica-Manaus-AM
19 de Out de 2002
É senso comum afirmar que a Amazônia dispõe de grandes potencialidades. O difícil é materializar essas potencialidades em riquezas concretas para a região. No caso da mineração, até essa potencialidade ainda é desconhecida devido a falta de pesquisas e de uma política mineral. Um dos entraves ao aprofundamento do conhecimento sobre as riquezas minerais da região, segundo especialistas, é o excesso de áreas protegidas na Amazônia. São florestas e parques nacionais e estaduais, além de áreas indígenas e reservas que se espalham principalmente ao norte e ao sul da bacia Amazônica, exatamente nas áreas mais propícias à presença de metais e pedras preciosas. O Estado de Roraima, por exemplo, está praticamente tomado por terras indígenas e outras áreas protegidas onde, comprovadamente, há ocorrência de ouro, diamantes e outros minerais que não podem, sequer, ser pesquisados. A falta de pesquisas faz com que as riquezas minerais em boa parte da Amazônia Brasileira sejam uma incógnita. A maioria das jazidas minerais existentes foi descoberta por acaso, e não como resultado de pesquisas objetivas por parte de investidores. De acordo com técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o fato de estarem na superfície colaborou bastante para sua identificação. Mas o que pode estar no fundo do solo continua lá. "As áreas institucionais dificultam o trabalho, porque barram os estudos. Não podemos nem levantar informações sobre essas áreas", diz o gerente de geologia e de recursos minerais da superintendência do CPRM em Manaus, Nelson Reis, 49. Para ele, a proibição de pesquisas nas áreas protegidas é um contra-senso, pois o País deveria ter o direito de conhecer o próprio território. O Amazonas tem apenas uma mina de metais, a do Pitinga, que só foi descoberta pelos trabalhos de mapeamento geológico do CPRM. "O Governo Federal precisa desenvolver uma política mineral para o País, colocar recursos e lembrar que existe o CPRM e que esse é o serviço geológico do País. Os investidores não vão se arriscar sem informações geológicas, é obrigação do Governo fornecer essas informações", avaliou Nelson Reis.
O CPRM deu um importante passo para amenizar a carência de informações nessa área ao lançar o mais completo mapa geológico sobre a região. O novo produto - "Geologia e Recursos Minerais da Amazônia Brasileira" - é um compilamento de 33 anos de pesquisas do CPRM e oferece a possíveis investidores todos os subsídios necessários à análise de determinada área para planejamento de eventuais pesquisas e prospecções. As informações estão disponíveis em CD e mapa (escala de 1 para 1.750.000).
O trabalho inclui informações inéditas e atualizadas sobre estudos geocronológicos (que determinam a idade das rochas) desenvolvidos pelo CPRM no ano passado. Com base em informações como essas, é possível saber que tipo de depósito mineral pode estar associado à idade de determinado terreno.
O CD permite diversas modalidades de pesquisa. É possível identificar todas as ocorrências minerais catalogadas na Amazônia Brasileira bem como localizar as áreas que apresentam condições propícias à ocorrência de determinados minérios.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.