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Pedidos variados de cada estado

CB, Política, p. 3
05 de Nov de 2006

Pedidos variados de cada estado
Entre os pleitos estão uma nova demarcação de terra indígena em Roraima, construção de gasoduto em Goiás e mais investimentos no social

Fernanda Odilla e Helayne Boaventura
Da equipe do Correio

Para agradar os governadores, em especial os da oposição, e afastar uma crise política nos próximos quatro anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai encarar uma extensa e diversificada lista de pleitos regionais. Construção de rodovias e de universidades federais, ampliação dos programas sociais, instalação de indústrias, transferência de terras da União para os estados, revitalização de lagoas e agilidade nos repasses de recursos estão na pauta de reivindicações específicas dos estados.

Apesar de Lula emitir sinais de que, neste segundo mandato, está disposto a ceder mais na pauta comum aos 27 estados, os governadores sabem que é nas exigências individuais que eles têm mais chances de fazer acertos com o governo. Nos últimos anos, o presidente fez o mesmo movimento de boa vontade, mas uma decisão sempre esbarrou no então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Renegociar dívidas estaduais, por exemplo, é um tema que arrepia a área econômica pois é tido como capaz de atrapalhar o ajuste fiscal.

Na pauta atual, o item mais fácil de ceder aos estados é a desvinculação de receitas da área social. Como o governo pretende renovar a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que vence no final de 2007, está disposto a enviar no mesmo projeto uma proposta semelhante para estados e municípios. 0 restante é complexo, por isso, empenhar-se para atender aos pedidos individuais é a forma mais fácil de garantir uma convivência pacífica, e até o apoio dos governadores de oposição.

Em Minas Gerais, uma das grandes preocupações do governador Aécio Neves (PSDB) é resolver o problema das estradas, a maior malha rodoviária do país. Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), terá de lidar com a questão da violência. Nos demais estados governados por oposicionistas, a chance de entendimento é grande. "Não vejo dificuldade nenhuma com Lula reeleito. Ele tem de ajudar a todos os estados brasileiros", observa Alcides Rodrigues (PP), reeleito em Goiás graças ao apoio do senador eleito Marconi Perillo (PSDB). A lista de pedidos de Goiás ainda está sendo montada. Mas certamente Alcides pleiteará mais incentivos ao agronegócio, a construção do gasoduto e de duas universidades, a melhoria das rodovias que cortam o estado e a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, para escoar a produção. 0 tucano Cássio Cunha Lima (PSDB), reeleito na Paraíba, vai defender a instalação de uma indústria de biodiesel no estado e também o processo de prospecção do petróleo na cidade de Souza.

Terras
Para resolver os conflitos em Roraima, Ottomar Pinto (PSDB) pretende ir ao Palácio do Planalto - defender a revisão da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Os 1,7 milhão de hectares assegurados pelo governo federal para os índios da região estremeceram a relação entre o tucano e o presidente Lula. Apesar de garantir que está aberto ao diálogo, Ottomar pretende pedir também a transferência de terras da União para o estado e a isenção de PIS e Cofins para toda Amazônia Ocidental, que beneficiaria, além de Roraima, Amapá e Amazonas.

Os pleitos do governador eleito de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), para a União também são bem locais. Ele precisa da ajuda de Lula para revitalizar as lagoas de Mundaú e Manguaba e também para acelerar as obras do projeto Canal do Sertão. Lançado pelo governo de Alagoas em 1992, o projeto tem o objetivo de assegurar o desenvolvimento socioeconômico de 42 municípios do sertão e agreste do estado.

Oposição amistosa

Em Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB) movimenta-se para manter o PMDB em uma postura neutra em relação ao governo federal, depois de ter sido um dos mais fiéis aliados do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Dificilmente, porém, conseguirá manter uma postura de oposição radical.

0 peemedebista tem uma lista de reivindicações junto para o governo federal e precisará manter uma relação amistosa com o Palácio do Planalto. 0 presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá reconstruir as pontes a partir dos pleitos do governador. Luiz Henrique diz que pretende lutar para renegociar a dívida do Instituto de Previdência do estado e também assegurar o repasse mensal de R$ 15 milhões da Petrobras para o Fundo Social de Santa Catarina.

Já no Distrito Federal o clima com o Planalto tem tudo para ser mais cordial. 0 pefelista José Roberto Arruda assegura que manterá uma relação de respeito com Lula, mesmo com sua legenda fazendo oposição ao governo federal. Arruda vai evitar bater de frente no governo federal para, principalmente, acelerar o repasse de verbas e a autorização de empréstimos internacionais.

No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB) pretende lutar por isonomia de condições de competitividade com o Nordeste e garantir um programa de proteção aos exportadores gaúchos, muito penalizados com a falta de repasses dos recursos da Lei Kandir.

CB, 05/11/2006, Política, p. 3

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