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Pastoral faz levantamento da população indígena urbana

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
09 de Set de 2004

Para desenvolver ações que possam trazer melhores condições de vida para os indígenas que vivem na cidade, a Pastoral Indígena resolveu fazer um levantamento e preliminarmente já constatou que pelo menos 1000 famílias vivem em Boa Vista em condições precárias.
A informação foi repassada pela coordenadora da Pastoral Indígena da Diocese de Roraima, Iracema Alexandre Neves. Segundo ela, o levantamento foi feito por um grupo de jovens desempregados que participam das ações da igreja e que se dispuseram a realizar o trabalho.
As pesquisas apontam que as famílias são localizadas principalmente nos bairros recém-criados ou ainda nas invasões. "Queríamos traçar metas e ver de que forma poderíamos trabalhar com estas pessoas e nos deparamos com esta triste situação", lamentou. Iracema relatou que muitos deles contam a mesma história, dizendo que vieram para a cidade em busca de melhores condições de vida junto aos não índios.
"Uns ainda conseguiram ser incluídos em programas sociais. Mas isso não é suficiente. O índio também quer emprego, estudar e trabalhar. Também temos esse direito", disse. "Os programas sociais não atendem todas as necessidades. Têm muita criança desnutrida e adolescentes se prostituindo por falta de incentivo", complementou citando os relacionamentos das índias com os não índios que não dão certo e que resultam no sofrimento dos filhos gerados.
"Presos na cidade", é assim que Iracema descreve a situação dos indígenas. Muitos deles, segundo ela, querem voltar para a aldeia, mas não tem como. Outros brigaram com os tuxauas ou com outros parentes e ficam receosos de voltar para a comunidade.
"Quando estas pessoas saem de suas aldeias, vêm acreditando principalmente em promessas políticas que não são cumpridas e depois se tornam presas da cidade. Após isso, vêm os filhos, os netos, a família aumenta e fica cada vez mais difícil voltar", comentou.
CURSOS - Mesmo com as dificuldades enfrentadas, Iracema disse que a Pastoral está trabalhando em parceria com algumas entidades. Dentre elas o Senai, que ministra cursos de computação e corte e costura para aqueles que se interessarem.
"O levantamento dessas famílias é importante para que a gente possa se conhecer e ajudar uns aos outros. Temos, antes de tudo, que nos valorizar para depois buscar um caminho, uma saída", disse. (T.B.)

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