O Globo, Ciência e Vida, p. 20
19 de Abr de 2004
Pássaros-lixeira: o retrato da poluição no Mar do Norte
Fernando Duarte
Correspondente
Pássaros-lixeira não são uma espécie, e sim uma triste conseqüência da poluição marinha. De acordo com uma pesquisa de um dos ramos britânicos da ONG ecológica Friends of the Earth, as 20 mil toneladas de lixo anualmente despejadas no Mar do Norte estão intoxicando aves marinhas.
Uma análise em aves revelou que elas tinham em média 30 pedaços de plástico no estômago. O dobro do número que foi registrado há 20 anos.
Plástico, isopor e isqueiro no estômago das aves
Ainda segundo a Friends of the Earth, 96% das aves mortas examinadas continham plástico no estômago. Alguns animais tinham engolido pedaços de corda, isopor, espuma de colchão, isqueiros e até mesmo alguns tipos de ferramentas.
O problema é mais grave na costa da Escócia, onde o parlamentar Mike Pringle, do Partido Liberal-Democrata, luta pela aprovação de uma lei que imponha limites no uso de sacolas plásticas. A organização não-governamental conta ainda com um grupo que se concentra no lobby junto às autoridades de meio-ambiente da União Européia.
- O Mar do Norte tem sido utilizado como depósito de lixo e isso está afetando a vida marinha. A fauna está se transformando numa lixeira viva - alerta Dan Barlow, um dos pesquisadores da Friends of the Earth.
O estudo não se limita à Grã-Bretanha e tem a coordenação-geral do Instituto de Pesquisas Marinhas e Oceânicas, uma entidade holandesa. Estatísticas divulgadas recentemente mostram que 100 das 300 espécies conhecidas de aves marinhas do mundo ingerem plástico acidentalmente ou mesmo alimentam seus filhotes com lixo.
Algumas espécies de baleias também são afetadas. Em 2002, uma baleia Minke foi encontrada na costa da França com 800 gramas de plástico no sistema digestivo. Tartarugas são outros animais vítimas desse problema, pois confundem plástico com as águas-viva ou plâncton, que fazem parte de sua dieta.
- Mesmo os casos em que detritos servem de proteção para peixes, por exemplo, são uma ameaça ao equilíbrio do ecossistema, pois aumentam o risco de invasão de hábitats por espécies estranhas ao ambiente - alerta um porta-voz da Marine Conservation Society, que, em seu site, apresenta fotos de dissecações de diferentes animais para tentar convencer eventuais visitantes sobre a importância da luta contra a poluição costeira.
Segundo a ONG, os principais culpados são banhistas e turistas, que, num estudo realizado em 2001, foram apontados como os responsáveis por 37% do lixo encontrado em praias.
O Globo, 19/04/2004, Ciência e Vida, p. 20
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