Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=81149
02 de Mar de 2010
Até a próxima sexta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) realiza o Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais. O trabalho, iniciado hoje, é financiado pela organização não-governamental (ONG) Grupo Curumim, o qual aborda a inclusão e melhoria da qualidade da assistência ao parto domiciliar. As atividades ocorrem no hotel Uiramutã, em Boa Vista, a partir das 8h.
Esta é a terceira vez que o encontro é realizado em Roraima. Em 2001 e 2003, foram realizados debates acerca da qualidade dos partos domiciliares, com a qualificação de 130 parteiras tradicionais e profissionais de saúde de vários municípios do Estado.
O encontro pretende integrar as parteiras tradicionais e indígenas a fim de melhorar a qualidade da assistência domiciliar. De acordo com a gerente do núcleo de ações programáticas de saúde da mulher (Sesau), Cláudia Assis, o encontro pretende fazer uma avaliação do trabalho já realizado, bem como capacitar novos profissionais da área.
"Não estamos incentivando que as pessoas façam partos em casa, mas, como essa atividade é muito comum, em especial no interior do Estado e comunidades indígenas, capacitamos para que esses partos sejam feitos com mais segurança", afirmou. Segundo ela, o encontro é uma ação para prevenir a ocorrência de mortalidade materna nos procedimentos feitos sem intervenção médica.
Ao todo, serão 50 participantes, sendo 20 profissionais da área de saúde, como técnicos e enfermeiros e 30 parteiras vindas de várias partes do Estado, como Pacaraima, Caroebe, Amajari, Rorainópolis, Normandia, São Luiz do Anauá e Boa Vista, incluindo parteiras indígenas. As passagens dessas integrantes foram financiadas pelas secretarias de saúde de cada município.
Também estarão presentes representantes do Ministério da Saúde, gestores municipais e estaduais, técnicas e representantes de ONGs. Para a abertura, foram convidados todos os secretários de Saúde dos municípios de Roraima. A Fundação Nacional do Índio (Funasa) ofereceu apoio no sentido de mobilizar as parteiras que executam sua função em área indígena.
Em Roraima, os partos feitos sem interferência médica são comuns nos municípios do interior. Já nas comunidades indígenas, por uma questão cultural, até hoje é muito frequente o caso de mulheres que têm seus filhos sem interferência médica. Em ambos os casos, é comum a entrada de mulheres neste perfil no Hospital Materno Infantil Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), devido a complicações.
O tema desperta controvérsias, pois alguns médicos desaconselham o parto sem intervenções clínicas. Isto porque complicações, como as hemorragias, podem acarretar inclusive o óbito da criança ou da mãe se não forem tomadas medidas hospitalares. (Y.L.)
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.