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Parque do Tizo existe só no papel

OESP, Metrópole, p. C7
15 de set de 2006

Parque do Tizo existe só no papel
Área de 1,3 milhão de m2 de mata atlântica que corta três municípios ganhou título há 6 meses, mas nem cerca tem

Juliano Machado

Quando o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) criou, por decreto, o Parque Fazenda Tizo, moradores da região oeste da capital e de Osasco e Cotia imaginaram que finalmente a área de mata atlântica de 1,3 milhão de m2 no limite dos três municípios - 200 mil m2 maior que o Parque do Ibirapuera - seria devidamente preservada. Mas, passados seis meses, o parque entre as rodovias Raposo Tavares e Régis Bittencourt, cortado pelo Rodoanel, só existe na burocracia.

Abandonadas, guaritas que contribuiriam para a vigilância da área pertencente à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) foram depredadas. Não é possível nem mesmo saber onde começa o parque, pois a área não é cercada - o governo do Estado reservou R$ 5 milhões, ainda não gastos, para o cercamento e as primeiras obras de infra-estrutura. 'Foram anos de luta para conseguir preservar esse resquício verde da região', afirmou Silvana Santos, bióloga da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Amigos de Bairro do Parque Ipê.

A associação é apenas uma das entidades que se organizaram para impedir que no local fosse construída a Central Interligada de Abastecimento, um megaprojeto da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo. Elas procuraram o Ministério Público Estadual, que entrou com ação em 2002 exigindo a preservação da área. Em setembro de 2004, a Fazenda Pública do Estado determinou, entre outras medidas, o isolamento do terreno, o controle do acesso público e a proteção da fauna. 'Nada disso ocorreu. É só andar pelas trilhas e ver tubos de cola de sapateiro deixados pelo caminho e até armadilhas para pegar pássaros', contou Fábio Sanchez, presidente da Associação de Moradores do Petit Village, em Cotia. Um estudo ambiental encomendado pela CDHU identificou 54 espécies de pássaros. Três ameaçadas de extinção: o pavão-do-mato, o pica-pau-rei e a araponga.

A vizinhança também é uma ameaça para o parque. Na parte paulistana do Fazenda Tizo - 53% do total -, as cerca de 400 famílias da favela Vila Nova Esperança se instalaram a poucos metros da mata. 'Parte do esgoto dos barracos vai direto para o parque, contaminando os mananciais', disse Silvana. A CDHU busca a reintegração de posse.

Apesar das marcas de abandono, o diretor de planejamento e gestão da CDHU, Hélio Costa, afirmou que a empresa está trabalhando para a implementação do parque. 'O edital de licitação para o cercamento sairá em breve e essa área, como todas as outras da CDHU, é vigiada.' Já a diretora do Departamento de Projetos da Paisagem da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, Helena Carrascosa, diz que as reclamações são legítimas e informa que o Plano Diretor do parque deve ficar pronto até o início de novembro. 'Para o ano que vem estamos pedindo R$ 11 milhões para a implantação total.'

OESP, 15/09/2006, Metrópole, p. C7

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