O Globo, Rio, p. 26
28 de Mar de 2008
Parque da Tijuca será vigiado por 32 câmeras
Pontos como Cristo, Vista Chinesa e Mirante Dona Marte terão o equipamento. Novo sistema de acesso ao Corcovado é inaugurado
Fábio Vasconcellos
Depois de ruas, praças e órgãos públicos, agora é a vez da floresta. 0 Parque Nacional da Tijuca será monitorado por 32 câmeras de vídeo 24 horas por dia. Elas ficarão nos acessos da floresta e em pontos turísticos, como o Cristo Redentor. Os primeiros equipamentos começaram a ser instalados no monumento, que ontem teve inaugurado um novo sistema de cobrança de acesso de visitantes. Agora, veículos particulares estão proibidos de subir o Corcovado. Os visitantes terão que estacionar o carro nas Paineiras, lá comprar o ingresso de R$ 13 e seguir numa van até a estátua.
Área do Corcovado já tem 50 agentes de segurança
De acordo com o Ibama, além do Cristo Redentor, as cá-meras fixas e móveis serão instaladas na Mesa do Imperador, na Pedra Bonita, no Mirante Dona Marta, na Vista Chinesa e em
outros pontos que serão mantidos em segredo. Duas delas já monitoram o acesso às roletas eletrônicas do Corcovado. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que inaugurou o novo sistema de acesso, acredita que, com aumento do número de vigilantes - a quantidade de guaritas passou de sete para 16 -, as câmeras devem melhorar a segurança no local. No total, cerca de 50 agentes vigiam o entorno do Corcovado.
- Estamos fazendo um trabalho integrado para que possamos ter a visitação com segurança - disse Marina na inauguração, que contou ainda com a presença do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.
As mudanças no sistema de acesso acontecem quase um ano após a Polícia Federal desencadear a Operação Iscariotes, que prendeu 22 pessoas de uma quadrilha que desviou cerca de R$ 10 milhões da bilheteria do monumento. 0 novo modelo de cobrança, no entanto, é criticado pela prefeitura, pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-}RJ) e por taxistas, que reclamam porque agora não poderão mais subir até o monumento com seus clientes.
Para o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, o sistema vai causar transtornos no trânsito. Ele acredita ainda que a concessão de linhas de vaus no Cristo não poderia ser feita pelo órgão federal e que o dinheiro recolhido com a venda dos ingressos de acesso ao Corcovado pode aumentar a insegurança. Medina enviou uma carta a Marina Silva com as críticas.
- Tecnicamente, está errado porque as Paineiras têm espaço para apenas 50 carros. Isso é um absurdo. Vamos ter problemas de engarrafamento. 0 ideal seria ter um terminal no Largo do Machado. Ali, o turista pegaria um microônibus até o Cristo - afirmou Medina, que está estudando, com a Procuradoria do Município, a possibilidade de entrar na Justiça contra o novo sistema.
Já os donos de hotéis, que dizem não ter participado da elaboração do esquema, afirmam que as medidas vão trazer mais problemas que soluções. Em nota, a ABIH diz que a cobrança de acesso a monumentos turísticos é comum em outros países, mas no Rio "a verba arrecadada com estes ingressos não é investida corretamente no patrimônio público, vide o estado atual de manutenção dos gradis e grades do Cristo Redentor". Para os empresários, o fato de ser um monumento religioso também deveria ter sido levado em conta pelo Ibama.
Ibama: arrecadação será investida em melhorias
0 superintendente do Ibama no Rio, Rogério Rocco, defende-se. Segundo ele, não é verdade que as Paineiras tenham apenas 50 vagas de estacionamento. Ele também afirmou que a arrecadação prevista com a venda dos bilhetes será investida em melhorias no Parque da Tijuca. 0 superintendente adiantou que estão sendo estudadas outras formas de venda de ingresso. Duas opções seriam o pagamento com cartões e a venda antecipada para grupos turísticos.
- As poucas vagas são historicamente um problema para a área das Paineiras. Mas temos cerca de 200 vagas operadas pelo Vaga Certa, que é concessão da prefeitura. Então, se alguém da prefeitura informou que só há 50, está desinformado -criticou Rocco.
O Globo, 28/03/2008, Rio, p. 26
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