OESP, Economia, p. B9
17 de Jan de 2008
Parcerias ambientais podem ampliar relação Brasil-Japão
Futuro do comércio entre os dois países é analisado em simpósio econômico
Mariana Barbosa
No aniversário de cem anos da imigração japonesa no Brasil, o futuro das relações bilaterais foi discutido ontem durante o Simpósio Econômico Brasil-Japão - Os próximos 100 anos, organizado pelo Estado, em conjunto com o jornal japonês The Nihon Shimbun e com a Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil.
Para o ex-ministro japonês Naoki Tanaka, presidente do Centro de Pesquisa Internacional de Estratégias Público-Privadas do Japão, a retomada das relações comerciais entre Brasil e Japão pode estar em parcerias para investimentos em tecnologias limpas e sustentáveis.
"O Japão está mudando sua forma de se colocar no mundo. Antes o impacto se dava em volume, como motor do crescimento econômico mundial. Agora queremos ter um impacto em termos de qualidade, oferecendo soluções que respondam aos desafios ecológicos", afirmou Tanaka. "A chance de parceria Brasil-Japão se dará nessa linha. Junto com o Brasil, o Japão poderá criar mecanismos adequados de produção de biocombustíveis."
Nessa mesma linha, o vice-presidente da Organização do Comércio Exterior do Japão (Jetro), Tadashi Izawa, sugeriu ao setor privado brasileiro intercâmbios com indústrias japonesas para melhorar a eficiência energética. Izawa citou um estudo que mostra que, se todas as companhias do mundo adotassem o padrão de eficiência energética das japonesas, a relação PIB/emissão de CO2 cairia em 68%.
O vice-presidente do Jetro jogou um balde de água fria naqueles que nutrem esperanças de ver um grande projeto de exportação de etanol, que seria adicionado à gasolina no Japão e depois vendido para consumo interno e também reexportado a outros países da Ásia. "Para o Japão, a redução da dependência do petróleo não está no etanol, mas sim no hidrogênio." Segundo Izawa, o país está investindo, em primeiro lugar, em motores mais eficientes. Em segundo em biodiesel e em terceiro em etanol.
Na avaliação de Izawa, o comércio bilateral está começando uma nova era que consiste, por parte do Japão, na exportação de bens de consumo de luxo e de conteúdo. E, pelo Brasil, na exportação de bens de alta tecnologia, como aviões da Embraer, além de moda e arte. Em termos de investimento, as oportunidades são na área de energia e tecnologia da informação, pelo Brasil. Já os japoneses devem se concentrar em investimentos de larga escala.
De acordo com o Instituto JBIC, o banco de fomento internacional do Japão, a percepção do empresariado japonês sobre o Brasil está melhorando. De 2003 para 2006, o País passou de 16o para 7o lugar no ranking dos mais promissores parceiros para negócios com o Japão.
"Hoje o Brasil e o Japão, por diferentes razões, estão vivendo momentos muito favoráveis do ponto de vista econômico e têm condições de retomar os níveis de investimentos do passado", disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em palestra de encerramento.
Mas, apesar do aumento do interesse e das promessas, o ritmo dos negócios entre os dois países é "muito lento", segundo brasileiros presentes ao seminário. "Há 3 anos e meio, fiz parte de uma iniciativa de parceria com etanol, e isso avançou muito pouco", disse o ex-ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Seu colega de primeiro mandato do governo Lula, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também se queixou: "Demoramos 23 anos para abrir o mercado de manga, e estamos há 12 anos tentando abrir o mercado de carne."
OESP, 17/01/2008, Economia, p. B9
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