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Para Santilli, deve-se levar em conta todo o processo de luta dos índios

UnB-Brasília-DF
03 de Dez de 2004

Durante a mesa-redonda Territorialidade e Política, realizada na sexta-feira, 3 de dezembro, no Anfiteatro 9, o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Paulo Santilli afirmou que o sistema de demarcação de terras indígenas não passa de um "esquartejamento territorial". "Os índios ficam isolados e cercados por fazendas", comentou.

Cerca de 16 mil índios de 152 comunidades pertencentes a cinco povos diferentes habitam a Raposa Serra do Sol, um espaço de quase 1,7 milhões de hectares no Estado. Macuxis, Taurepangs, Wapichanas, Ingaricós e Patamonas vivem na região, cuja delimitação foi decretada em dezembro de 1998. "Fala-se em tirar um pedaço aqui, outro ali, como algo aleatório e sem considerar os anos de luta desse povo", disse Santilli.

APOIO DO JUDICIÁRIO - A subprocuradora-geral da República Déborah Duprat garantiu que todas as providências jurídicas sobre o assunto foram adotadas. "É difícil entender como uma 'elitizinha' consegue causar todo esse estrago e impor um poder surpreendente na região", apontou. Segundo ela, há um grande interesse político-econômico por parte de fazendeiros e garimpeiros em explorar os recursos hídricos e a grande diversidade biológica da Raposa Serra do Sol.

De acordo com a subprocuradora, as alegações do governo são de que é preciso, antes de tudo, resolver os conflitos instalados na região e que a decisão pode comprometer a defesa nacional na área das fronteiras. "São declarações absurdas e discriminatórias. O governo pensa que o tempo dos índios é eterno", acusou. Para Déborah, só o fato de estabelecer fronteiras é um ato de força e fere o direito à identidade.

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