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Para presidente da ANA, só 'dilúvio' resolve Cantareira

O Globo, País, p. 10
14 de Nov de 2014

Para presidente da ANA, só 'dilúvio' resolve Cantareira
Vicente Andreu diz que obras propostas por SP não solucionam a situação imediatamente

EDUARDO BARRETTO eduardo@ bsb.oglobo.com. br

-BRASÍLIA- O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, disse ontem que o sistema Cantareira precisaria de um "dilúvio" para sair da situação "absolutamente incerta" em que está. Em audiência na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, Andreu também declarou que as obras anunciadas pelo estado em parceria com a União não resolvem a situação, e criticou as projeções e ações de contenção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

- Qual é a solução para essa situação? Chuva. E se não chover? E muita, porque acabei de demonstrar aqui para vocês que para chegar janeiro do ano que vem (com o sistema melhor), nós precisamos de um dilúvio, de dilúvio. Aliás eu preciso me controlar com relação às minhas hipérboles, não é? Porque depois o dilúvio passa a ser o elemento central, mas infelizmente é essa a quantidade de água que precisa acabar acontecendo. Então não há, em um curto prazo, nenhuma solução para o sistema Cantareira que não seja a chuva - disse o presidente da ANA.

PROJEÇÕES FORAM OTIMISTAS DEMAIS

Três dias depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ir ao Palácio do Planalto pedir R$ 3,5 bilhões do governo federal para enfrentar a crise hídrica, Andreu afirmou que essas obras seriam "absolutamente impossíveis" de serem consideradas em curto prazo:

- As obras anunciadas pelo governo do estado, em uma perspectiva muito positiva de parceria com o governo federal, resolvem essa situação? Não. Essas obras entrarão em funcionamento, na melhor das hipóteses, em alguma coisa em torno de um ano a dois, mesmo assim progressivamente nesse período. Portanto, contar com essas obras pra essa situação... elas são absolutamente impossíveis.

Para o presidente da ANA, as projeções para o sistema foram "otimistas", e eram frequentemente postergadas para justificar que o Cantareira não estava em situação grave.

- Passou a se discutir: 'Mas se chover o mínimo, a gente já passa raspando'. E não choveu o mínimo - afirmou.

Ontem, a ANA autorizou o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo a utilizar a segunda cota do volume morto. A despeito de considerar o "quadro de severa estiagem", e para "evitar a descontinuidade do fornecimento de água", a ANA ressalvou a necessidade de uma meta de volume mínimo para o sistema em abril de 2015, além de cenários "conservadores" de projeção.

O Globo, 14/11/2014, País, p. 10

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