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Para Marina, elogio discreto e um plano rejeitado

OESP, Nacional, p.A4
29 de Nov de 2003

Para Marina, elogio discreto e um plano rejeitado Mudando a estratégia dos últimos dias, Lula prega necessidade de 'coisas corretas e bem feitas'
BRASÍLIA - Ao contrário do que tem feito nas últimas cerimônias, quando aproveitou o discurso para afagar ministros presentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva limitou-se a "parabenizar" a ministra Marina Silva "pela organização" da I Conferência Nacional do Meio Ambiente. Ao longo de sua fala, recusou-se a assinar a minuta de um documento e fez cobranças.
"A companheira Marina e a sua equipe vão ter que se sentar com os outros ministros, com o governador, com os trabalhadores, com os empresários, e nós vamos encontrar a solução adequada para que a gente faça, pelo menos uma vez na vida, as coisas corretas e bem feitas neste País", disse Lula no discurso. Ele se referia à discussão sobre a ampliação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, localizado entre Minas Gerais e Bahia.
O assunto já era consenso no Ministério do Meio Ambiente e no Ibama que, chegaram a levar a minuta do decreto, que seria divulgado durante a conferência. O presidente não assinou e deixou claro que nada faria sob pressão. "Sabemos que é preciso marcar a extensão do parque Grande Sertão Veredas. Sabemos, mas o governo não vai cometer o erro de, a partir do seu gabinete em Brasília, fazer um decreto. Não, nós vamos fazer a transversalidade da discussão", discursou.
A proposta de decreto prevê a ampliação do parque de 84 mil hectares para 231 mil hectares para proteger afluentes do rio São Francisco e espécies ameaçadas de extinção como o tatu-bola e o pato-mergulhão. A assessoria de Marina Silva minimizou os recados do discurso de Lula e garantiu que tudo estava combinado desde o dia anterior. Até mesmo as palavras "econômicas" de Lula para a ministra. O presidente apenas parabenizou a ministra pela organização da conferência e destacou o "importante papel catalisador" que ela desempenhou na elaboração do projeto de Biossegurança enviado ao Congresso.
Mata - O presidente garantiu que o Congresso aprovará, até quarta-feira, o projeto da Mata Atlântica. Ele criticou o governo anterior por não ter votado o projeto de autoria do ex-deputado tucano Fábio Feldmann. "Há 11 anos ele (Feldmann) apresentou um projeto, o partido a que ele pertence governou este país durante oito anos, com maioria absoluta no Congresso Nacional, e não foi votado o projeto da Mata Atlântica." Agora, orgulha-se Lula, há um acordo de lideranças para, no dia 3, votar "o tão esperado" projeto, mesmo tendo ele uma base aliada de cerca de 200 deputados. Política, disse, "significa capacidade de articular, de convencer, para que possamos fazer o País dos nossos sonhos". Governo, parlamentares, representantes de organizações não-governamentais ambientalistas e agrícolas passaram a semana negociando um texto de consenso. A última versão do projeto prevê a criação do Fundo de Restauração dos Ecossistemas Atlânticos, com recursos do orçamento, de doações de cidadãos e empresas. (T.M e S. S.)

OESP, 29/11/2003, p. A4

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