OESP, Nacional, p. 17
17 de Out de 2009
Para Lula, crítica à transposição vem de ''bando'' de ''homens ociosos''
Presidente volta a alfinetar Serra e diz que não cometeu ato falho ao falar em comício na viagem ao semiárido
Leonencio Nossa, Enviado especial, Cabrobó
Em tom de campanha, ao encerrar viagem de três dias ao semiárido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou ontem as críticas ao PSDB e ao governador de São Paulo, José Serra. Durante entrevista em um canteiro de obras do projeto de transposição do Rio São Francisco, a 530 quilômetros do Recife, ele disse que os adversários são "homens ociosos".
"A pior coisa do mundo é a ociosidade. Um bando de homens sem ter o que fazer é uma desgraça", afirmou o presidente, respondendo a uma pergunta dos jornalistas sobre as críticas feitas por Serra aos projetos federais de combate à seca.
Lula avaliou que não cometeu ato falho ao dizer, em dois discursos ao longo da viagem, que participava de comícios. "Qual é a diferença entre ato de inauguração e falar com trabalhadores? Qual a diferença de comício? Acho que não cometi ato falho." Minutos depois, repetiu: "Eu não cometi ato falho."
Pouco antes de fazer essas declarações, Lula afirmou, em discurso, que os adversários ficam sentados com a "bunda" na cadeira falando mal das obras do governo. Sem citar nomes, reclamou que muitos oposicionistas não deixam claro o que realmente desejam para o governo.
"A oposição é como jogador que está num banco de reservas. Diz que é amigo de quem está jogando, mas está torcendo para o outro se machucar ou tomar cartão vermelho para tomar o lugar", declarou. "O papel da oposição é ficar xingando e falando certas coisas."
Na quarta-feira, Serra criticou a falta de investimentos em irrigação para as comunidades ribeirinhas. "Você vai fazer a transposição do São Francisco, tudo bem. Agora atenda também as áreas que estão na beirada do rio e que deveriam ser irrigadas. Isso foi paralisado."
Além das farpas, o comando do PSDB vai à Justiça Eleitoral contra Lula por propaganda antecipada em favor da ministra e pré-candidata Dilma Rousseff (Casa Civil), que também foi ao semiárido.
NA LUA
Ontem, Lula ainda atacou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao ser perguntado sobre suas insistentes críticas ao Planalto. "Ninguém vai sair do anonimato às minhas custas", advertiu. "Um presidente da República não pode ficar pensando em coisas menores."
O único momento de trégua foi quando ele lembrou que o projeto de transposição do São Francisco sofreu ataques até do PT durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
"Os companheiros do PT eram contra a transposição", admitiu o presidente, diante de cerca de 500 pessoas, a maioria trabalhadores das obras, que acompanharam o discurso.
Lula provocou risos na plateia, ao brincar que não era para o público usar o canal da transposição para lazer. "Não quero que as pessoas entupam o canal, mergulhando aí", disse. "Vai ser a maior piscina do mundo. Quando os astronautas forem à Lua, não vão ver apenas a Muralha da China, mas também o canal de transposição do São Francisco." Lula, por fim, frisou que a viagem não tem caráter eleitoral. "Transposição não rima com eleição. A transposição é um sonho antigo deste País."
OESP, 17/10/2009, Nacional, p. 17
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