O Popular
19 de Abr de 2007
Passados dez anos da morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, de 44 anos, morto com queimaduras em 95% do corpo, no dia 20 de abril de 1997, no Distrito Federal, a Fundação Nacional do Índio (Funai) afirma que a pena imposta aos responsáveis pelo crime foi pequena.
Apesar da condenação dos responsáveis pelo crime, a pena estipulada pela Justiça foi abaixo da esperada por representantes da instituição.
O administrador da Funai, em Ilhéus, na Bahia, Agnaldo Francisco dos Santos, 39 anos, disse que a comunidade de índios pataxó hãhãhãe ainda não está indignada com a morte de Galdino. "Somos mais de 3.000 na aldeia Caramuru Catarina Paraguassu. Ninguém aqui conseguiu aceitar a decisão da Justiça. Não foi feita Justiça para nós. No Dia do Índio, a comunidade pataxó não tem o que comemorar."
Santos disse que os pataxós farão rituais para lembrar a data da morte de Galdino nesta quinta-feira (19). "Faremos uma dança indígena no memorial de Galdino, no Distrito Federal, e na aldeia. É a nossa forma de protestar pela morte dele. As manifestações vão até sábado (21)."
"O sentimento da família de Galdino, que tem mais de 500 pessoas, ainda é de muita dor, disse Santos.
O administrador lembra da brutalidade do crime. "Os responsáveis pelo crime ficaram livres pouco tempo depois do que fizeram. Por causa disso, todo dia morre mais índio e nada acontece. Todos os crimes foram cometidos por pistoleiros."
"A Justiça não esteve presente na morte do Galdino e nem para manter os objetivos de luta dele, que era a demarcação de terra. Nada evoluiu sobre a questão da terra indígena desde a morte dele. As terras ainda não foram demarcadas. A luta de Galdino continua sem sair do lugar", afirmou Santos.
Os índios pataxós pedem a demarcação de 54 mil hectares de terra entre as cidades de Pau Brasil, Itaju Colônia e Camaçã, no Sul da Bahia. "Vivemos em 18 mil hectares. Desde 1982, já morreram assassinados mais de 20 índios da aldeia. Há jazidas de pedras preciosas e minério, que ainda não são exploradas nesta área. Por isso há um interesse de muitas empresas pelo local", disse Santos.
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