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Para especialista, ''o mundo não quer mais saber de petróleo"

Valor Econômico, Brasil, p. A2
13 de Abr de 2016

Para especialista, ''o mundo não quer mais saber de petróleo"

Flavia Lima

Riqueza mal aproveitada e também cada vez menos desejada. É assim que o primeiro diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, vê o setor de petróleo no Brasil e no mundo. Em evento ontem no Instituto FHC, ele ressaltou que há hoje no país uma riqueza que não será explorada se não tiver mudança na legislação. Ao mesmo tempo, disse ele, há mudanças importantes na configuração do mercado mundial, que caminha para a "descarbonização". "O petróleo é uma fatalidade. O mundo não quer mais saber de petróleo".
Segundo Zylbersztajn, é preciso "esquecer" a ideia de um barril a US$ 100. "Nunca mais. Vamos ter um salto do preço, mas logo mais ele vai cair". Para ele, dentro da ideia de "passaporte do futuro", se apostou no século XXI na energia do século passado.
Para Zylbersztajn, embora a Petrobras imagine vender cerca de US$ 52 bilhões em ativos para ajudar a equacionar sua difícil situação financeira, o esforço não deve chegar a US$ 15 bilhões. Além disso, o ponto de equilíbrio do custo de extrair petróleo no pré-sal não estaria hoje muito distante de algo entre US$ 40 e US$ 45. "Temos margem zero no incremento de produção. Todos os cheques pré-datados que deram para salvar educação no Brasil não valem nada".
Para ele, incompetência, e não corrupção, é a explicação para a situação da Petrobras. O volume que a Lava-Jato representa em termos de resultados para a companhia, afirmou, é uma parcela muito pequena. Um dos nomes à frente do processo de quebra do monopólio na exploração do petróleo no Brasil nos anos 90, Zylbersztajn, porém, qualificou como "desastroso" e "dado à corrupção" o modelo de partilha atual. "Inverteram a questão e, no modelo partilha, se fica com petróleo e não com o dinheiro. Além disso, criaram uma estatal para comercializar esse petróleo".
Segundo Zylbersztajn, a empresa teria que investir cerca de R$ 400 bilhões para continuar a produzir o que está produzindo hoje. "Como resolver isso? Não sei. Falam em capitalização. Como [fazer isso] em um governo que em março declara que vai ter déficit [nas contas públicas]?"

Valor Econômico, 13/04/2016, Brasil, p. A2

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