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Palavra de especialistas

O Globo, O País, p. 4
Autor: MONTEZUMA, Leão; TUPINAMBÁ, Soraya
16 de Out de 2009

Palavra de especialistas

O projeto é muito bem feito

Leão Montezuma Engenheiro civil, superintendente de obras hidráulicas do governo do Ceará

"Sou a favor da transposição porque a transferência de água é muito pequena em relação à água que vem ao mar. A média da vazão jogada no mar é da faixa de 2 mil metros cúbicos por segundo, e a vazão da transposição do São Francisco que vai ser captada é de 26 metros cúbicos por segundo. É um alto índice de aproveitamento com índice muito baixo captado do rio.

"Isso é muito importante porque vai dar oportunidade para que cidades lindeiras tenham água para o abastecimento urbano. Ao longo da margem do rio também serão aproveitadas, em algumas áreas, no caso de excedente, já que a prioridade da transposição é o abastecimento humano. Caso em algum período essa água não seja totalmente utilizada para o abastecimento humano, poderá ser usada para irrigação, o que também traz ganho na questão da produção de alimentos".

Risco de danos ao meio ambiente

Soraya Tupinambá Engenheira de pesca , da Frente para uma Nova Cultura da Água, do Ceará

"No mundo inteiro, essas grandes obras de transposição estão sendo questionadas, como em toda a Europa, porque já mostraram os danos que provocam ao ambiente marinho, à vegetação, à mata ciliar. Está demonstrado que há um impacto muito grande. E a tendência mundial é o desenvolvimento de uma nova cultura da água. Para que se dê conta dessa necessidade humana, há que se mudar a lógica de utilização da água e não simplesmente buscar, demandar e atender a essas demandas. Mas buscar racionalidade, gestão eficiente das águas.

Ao mesmo tempo que se ressalta a necessidade de água no Nordeste Setentrional - Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte -, fica evidenciado que as capitais desses estados têm uma taxa de perda de água enorme. Chega a 40% no caso de Fortaleza, 60% no caso de Recife. Não se muda a lógica de utilização da água e ainda se justificam as grandes obras.

O Globo, 16/10/2009, O País, p. 4

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