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País vai criar áreas de proteção gigantes

OESP, Metrópole, p. A13
06 de Mar de 2018

País vai criar áreas de proteção gigantes
Extensão do território protegido subirá do atual 1,5% para 25%

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo
06 Março 2018 | 03h00

O presidente Michel Temer deu luz verde ontem para a criação de duas das maiores unidades de conservação marinha do mundo em território nacional, com uma área somada de quase 1 milhão de quilômetros quadrados - mais de três vezes o tamanho do Estado de São Paulo.
A proposta, defendida pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Defesa, prevê a criação de dois grandes blocos de áreas protegidas marinhas, ao redor dos dois territórios mais distantes e isolados da costa brasileira: os arquipélagos de São Pedro e São Paulo, e Trindade e Martin Vaz.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, por sua vez, disse que a proteção dos mares será uma "bandeira" do empresariado paulista daqui para frente; e como "prova" apresentou uma carta a Temer pedindo a criação das unidades.
Diversas organizações científicas e ambientalistas também declararam apoio à iniciativa nas últimas semanas. "Falta pouco para concretizarmos um dos maiores passos da proteção marinha da nossa história", diz o site do movimento #éahoradomar, lançado por dezenas de ONGs ambientalistas.
As propostas foram apresentadas no início de fevereiro e seguem em consulta pública até o fim desta semana. "Acabado o prazo da consulta, o presidente poderá assinar os decretos", disse o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Segundo ele, "não houve nenhuma objeção" à criação das unidades até agora. A expectativa é que os decretos sejam publicados no dia 19, durante o Fórum Mundial das Águas, em Brasília.
Com isso, a cobertura de áreas protegidas no território marinho brasileiro subirá do atual 1,5% para 25% - suficiente para cumprir a chamada "meta de Aichi", que pede 10% de proteção para ecossistemas marinhos e costeiros.
Gigantismo
Cada bloco de área protegida será do tamanho do Estado do Paraná, com mais de 400 mil km², incluindo duas categorias de proteção: uma área de proteção integral, chamada Monumento Natural (Mona), para proteger os ecossistemas mais rasos e sensíveis das ilhas, cercada por uma grande Área de Proteção Ambiental (APA) em mar aberto, estendendo-se até 200 milhas náuticas de cada arquipélago.
O mosaico de São Pedro e São Paulo terá 40,7 milhões de hectares de APA e 4,2 milhões de hectares de Mona. Em Trindade e Martin Vaz serão 40,2 milhões de hectares de APA e 6,9 milhões de hectares de Mona.
Segundo especialistas, essas áreas abrigam espécies ameaçadas e endêmicas - que não existem em nenhum outro lugar -, além de formações geológicas únicas, que as tornam especialmente relevantes para conservação.
"Agora estamos armados com conhecimento e oportunidade para agir", celebrou Sylvia.

OESP, 06/03/2018, Metrópole, p. A13

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