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Pais so e bom para indio, MST e politico

OESP, Notas e Informacoes, p.A3
25 de Jul de 2004

'País só é bom para índio, MST e político'

A idéia de que a tolerância em relação ao desrespeito às regras estabelecidas pela sociedade apenas estimula um desacato cada vez maior às leis, às instituições e, acima de tudo, aos direitos dos cidadãos talvez seja tão antiga quanto a preocupação de criar hábitos de convívio harmônico entre membros de comunidades. Mas nunca essa verdade foi tão bem ilustrada entre nós como agora, com a "evolução" de um chamado movimento social no caminho da ilegalidade, partindo do desrespeito à propriedade - pública e privada - e chegando ao confronto aberto com as instituições e autoridades públicas, procurando levá-las ao máximo de desmoralização. É claro que o leitor já percebeu que estamos nos referindo ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e organizações afins. Só os episódios concentrados nos poucos últimos dias já nos dão uma demonstração alarmante do ponto a que podem chegar os que só encontram leniência, quando não apoio explícito, de autoridades como reação a sua trajetória anti-social.

Um grupo de 50 sem-terra invadiu uma delegacia no município de Aurelino Leal, no sul da Bahia, resgatando dois integrantes do movimento que haviam sido presos por desacato à autoridade, quando oficiais de justiça, acompanhados de 80 policiais, cumpriam mandado de reintegração de posse de fazenda invadida na região. A idéia dos que prenderam os dois militantes emessetistas era liberá-los logo depois de tomados seus depoimentos. Mas ao consultarem o cadastro da Polícia Civil os agentes descobriram que os dois sem-terra tinham extensa folha corrida. "São bandoleiros que invadem fazendas para roubar gado, produtos agrícolas e eletrodomésticos, além de ameaçar os proprietários" - disse o delegado Paulo de Tarso, ao pedir a prisão preventiva dos dois foragidos, depois que estes foram libertados pela operação de resgate semelhante às que fazem os comandos do crime organizado para livrar seus comparsas, nas delegacias das grandes cidades.

Um dia antes, no município de Itabuna, também na Bahia, a sede do Partido dos Trabalhadores havia sido invadida por membros do MST por um motivo inédito - sem relação com reivindicação de terras ou verbas para reforma agrária: tratava-se, simplesmente, de garantir uma vaga de vereador na chapa do partido, pelo fato de a Justiça Eleitoral ter reduzido o número de candidatos da legenda. E a operação foi bem-sucedida, tendo o MST, por esse "método", conquistado a pretendida vaga no PT, graças à conciliatória desistência de um candidato concorrente.

Mas tem mais. Por exigência tanto do MST quanto da Organização de Luta no Campo (OLC) e da Pastoral da Terra, que não estavam satisfeitos com sua atuação, o Ministério de Desenvolvimento Agrário trocou o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Pernambuco, João Farias, substituindo-o por uma ouvidora agrária que merece a confiança dos que achavam que Farias "não foi capaz de alavancar a reforma agrária". É esse tipo de capitulação dos Poderes Públicos a suas pressões de toda a ordem - freqüentemente com emprego de violência, depredações e desmoralização cabal das autoridades constituídas - que leva o MST e organizações assemelhadas a radicalizar suas manifestações durante seu próprio curso. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a sede do Incra em Dourados, em Mato Grosso do Sul. O que estava programado para ser apenas um "protesto contra a morosidade da reforma agrária" virou uma invasão de 300 homens, mulheres, crianças, que ocuparam a sede do Incra, transformaram a garagem em cozinha e dormitório, onde colocaram suprimentos, agasalhos e roupas de cama, para uma semana de permanência.

Não surpreende, portanto, o fato de o pecuarista João Coelho Junior, de 63 anos, depois de ter sofrido a décima ocupação de sua Fazenda Tupi Conam, em Presidente Epitácio - no Pontal do Paranapanema - ter anunciado que "jogou a toalha", oferecendo sua propriedade à venda, pela metade do preço que realmente vale, tendo em vista pegar o dinheiro e sair do Brasil. Apesar de já ter sido emitida no dia 13, ainda não foi cumprida a ordem de despejo contra os 300 militantes do MST que estão acampados em sua propriedade desde o dia 9. E assim desabafou o pecuarista, ao desistir da fazenda de 2.023 hectares, com produção de gado de leite e corte, que está com sua família há mais de 40 anos e já foi das mais produtivas da região: "Cansei de ser palhaço num País que só é bom para índio, sem-terra e político."

OESP, 25/07/2004, p.A3

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