OESP, Negocios, p.B16
04 de Fev de 2005
País será estrela na feira de orgânicos
Brasil é o tema da Biofach, maior evento mundial do setor, realizado na Alemanha
Patrícia Campos Mello
O Brasil será o país tema da Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo, que começa no dia 24 de fevereiro em Nuremberg, na Alemanha. O evento terá degustação de comidas brasileiras orgânicas, happy-hour brasileiro, noite de gala regada a caipirinha de amendoim, coco e maracujá, além de música de Yamandú Costa e Armandinho. A Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), com o apoio da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, vai levar para a feira 108 empresas brasileiras, que produzem café, açúcar, frutas, legumes, cachaça, frango, carne e laticínios orgânicos, isto é, que não usam agrotóxicos. Três ministros estarão presentes na feira: Roberto Rodrigues, da Agricultura, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, e Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário.
Segundo Juan Quirós, presidente da Apex, o País foi escolhido para ser tema da feira por causa de seu crescimento no mercado mundial de orgânicos. No mundo, o mercado de orgânicos movimenta, por ano, US$ 30 bilhões. A participação do Brasil nesse mercado ainda é muito pequena - as exportaçõe brasileiras devem chegar a US$ 100 milhões em 2005. Mas o crescimento do País é surpreendente - a exportação de produtos orgânicos do Brasil vem crescendo 50% por ano, bem acima do mercado mundial, que cresce 25% anualmente.
Os maiores consumidores de produtos orgânicos do mundo são os Estados Unidos, seguidos do Japão e da Alemanha. Os maiores produtores são, pela ordem, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Argentina e Canadá.
O Brasil levará algumas novidades para a feira, como camarão, óleos e tecidos orgânicos. O camarão orgânico, cultivado no Rio Grande Norte, é criado sem produtos químicos e alimentado com algas e peixes, em vez de ração. O produto custa entre 30% e 50% a mais do que o camarão tradicional. O País também vai expor fitoterápicos, como chá de boldo e guaraná em pó, e cosméticos orgânicos. "O consumidor europeu está disposto a pagar mais por produtos que sejam orgânicos e cultivados seguindo normas de respeito ao meio ambiente e à mão-de-obra", diz Quirós. Segundo ele, a Apex investiu R$ 3,2 milhões na participação na feira, pesquisas de mercado e sensibilização de produtores.
O outro objetivo da delegação brasileira é captar investimentos para o setor de orgânicos no Brasil. Ingo Plger, diretor da unidade de Investimentos da Apex, vai se reunir com representantes dos grandes processadores mundiais de orgânicos, para estudar projetos no Brasil.
OESP, 04/02/2005, p. B16
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