Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
09 de Ago de 2003
Especialista lidera equipe que catalogou essências aromáticas de 1.300 espécies
A cápsula de perfume é apenas um exemplo do que o Brasil poderia lucrar caso explorasse melhor as milhares de essências encontradas na flora do País.
Parte dessa riqueza vem sendo catalogada desde 1980 por uma equipe do Museu Paraense Emílio Goeldi liderada pelo químico José Guilherme Soares Maia.
Após mais de 500 viagens de campo e de 55 mil quilômetros percorridos nos nove Estados amazônicos, o trabalho deu origem a dois livros, Aroma de flores na Amazônia e Plantas aromáticas na Amazônia e seus óleos essenciais, lançados recentemente. Mais dois, sobre as tecnologias de cultivo e processamento do óleo essencial da pimenta-longa (Piper hipidinervium) e o aroma de frutos na Amazônia, estão sendo preparados.
O grupo tem hoje cerca de 1.300 espécies catalogadas. Identificou componentes químicos, óleos essenciais, aromas e constituintes voláteis de todas elas. "O inventário da flora aromática da Amazônia é essencial se quisermos colocar esta riqueza nativa a serviço da sociedade", diz. "Durante os últimos cem anos, apenas três plantas aromáticas foram exploradas do ponto de vista econômico, o pau-rosa, a copaíba e o cumaru. Assim mesmo, somente de forma extrativista, ou seja sem cultivo racional."
Potencial para explorar não falta no Brasil. Segundo Maia, o País abriga cerca de 55 mil espécies de plantas floríferas, muitas delas aromáticas, com uma inumerável riqueza de substâncias químicas desconhecidas. "Apesar dos esforços, conhecemos pouco ou nada a respeito da composição química de mais de 99% dessa flora exuberante", diz Maia. O mais grave, de acordo com ele, é que grande parte disso poderá nunca vir a ser conhecido, em virtude da rapidez com a qual o meio ambiente vem se degradando.
Outro exemplo do que poderia render essa riqueza inexplorada é dada pelo próprio grupo de Maia. "Desenvolvemos tecnologias de cultivo e de processamento (secagem e destilação no campo) para a pimenta-longa, cujo óleo essencial é rico em safrol, substância usada nas indústrias de perfumes e inseticidas", revela Maia. "O consumo mundial desse óleo, que custa em média US$ 5 o quilo, é de 3 mil toneladas. Hoje, esse conhecimento está sendo repassado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) a pequenos produtores da Amazônia." (E.S)
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