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País caminha para nova safra recorde, 16% superior a 2012

OESP, Economia, p. B3
09 de Ago de 2013

País caminha para nova safra recorde, 16% superior a 2012
Nos primeiros semestre, os produtos agrícolas, principalmente soja e milho, responderam por 45% das exportações

Antonio Pita

Com um frágil cenário econômico, a estimativa de safra recorde da agricultura brasileira em 2013 reforça o papel do setor para a recuperação de indicadores como inflação e balança comercial. De acordo com dados do IBGE divulgados ontem, a estimativa da safra para o ano é de 187,9 milhões de toneladas, 16,1% superior à de 2012.
A estimativa é que a agricultura seja responsável por um saldo de US$ 80 bilhões na balança comercial até o final do ano. Nos seis primeiros meses, os produtos agrícolas corresponderam a cerca de 45% das exportações. "O saldo comercial agrícola salvará a balança comercial, com o reflexo também nas reservas cambiais", avalia o ex-ministro de agricultura, Roberto Rodrigues.
Ele destaca que no primeiro trimestre a agricultura cresceu 9,7% no PIB, que por sua vez teve alta de 0,6%. De acordo com o IBGE, o recorde da safra é puxado por soja e milho, as principais commodities agrícolas da pauta de exportações do País. Nos dados do IBGE, a área total a ser colhida apresenta acréscimo de 8,2% em relação a 2012. Em volume, a soja tem aumento de 23,8% e o milho de 19,6% - impulsionado, sobretudo, pela segunda safra.
"Sem a produção, nossa balança teria um déficit de US$ 50 bilhões", avalia o economista Fábio Silveira, da consultoria Go Associados.
A plantação realizada na mesma área da soja, após a colheita, supera pela primeira vez a produção da primeira safra. "Antigamente, essa era chamada de safrinha. Com a tecnologia encurtando os ciclos da soja e do milho, hoje se consegue uma produção maior que a primeira", explica o coordenador da pesquisa, Mauro Andreazzi.
Mato Grosso é o principal produtor. O estado, entretanto, enfrenta gargalo logístico. "Há armazéns cheios, safra exposta a céu aberto e carga que não consegue embarcar no porto pois os terminais ainda estão com soja." A expansão da safra também esbarra no preço das commodities. Para Fábio Silveira, a tendência é de baixa nos preços, sobretudo do milho, por conta da boa safra americana.
Por outro lado, a queda do preço de exportação provoca uma ampliação da oferta interna e ajuda a conter a pressão inflacionária. "Se o preço cai, isso
tem impacto para o consumidor interno. Isso é favorável para economia, mas não é bom para o setor", avalia Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP.
Fábio Silveira também alerta para um equilíbrio dos resultados do milho com a queda de produtos como algodão, café e laranja. "São vetores importantes para derrubar a importância da alta de soja e milho." Na comparação com julho de 2012, o algodão registra queda da produção de 30,6% em função do excesso de estoque das safras passadas e do baixo preço no mercado internacional.

OESP, 09/08/2013, Economia, p. B3

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