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Pacote de concessões de R$ 198 bilhões é recebido com cautela pelo mercado

OESP, Economia, p. B1
10 de Jun de 2015

Pacote de concessões de R$ 198 bilhões é recebido com cautela pelo mercado
Plano do governo para reanimar a economia com a concessão de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos é visto pelos empresários como um bom sinal, mas traz projetos duvidosos, como a ferrovia Bioceânica, e só deve começar a ter efeitos práticos em 2016

André Borges
João Villaverde
Lu Aiko Otta
Adriana Fernandes

Na tentativa de criar uma agenda econômica positiva, a presidente Dilma Rousseff lançou ontem seu novo pacote de concessões em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A segunda fase do Programa de Investimento em Logística (PIL) soma R$ 198,4 bilhões em projetos e promessas. Dilma ressaltou que o anúncio não se reduz a um punhado de "grandes números e projetos ambiciosos", mas sim um planejamento com base em dados e ações concretas. Em parte.
Do total de investimentos previstos, pelo menos R$ 56,5 bilhões estão em projetos com grande dificuldade de se viabilizar. Os números vultosos também trazem certa miragem quanto aos efeitos práticos na economia. Mesmo os empreendimentos considerados mais viáveis terão e feito mínimo neste ano, reconheceu o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
A maior parte dos leilões está desenhada para ocorrer a partir de 2016. Muitos ainda dependem de estudos de viabilidade que costumam levar de seis meses a um ano para ficarem prontos. Além disso, dos R$ 198,4 bilhões do programa, apenas R$ 69,2 bilhões estão previstos para serem investidos até o fim do mandato de Dilma, em 2018. Ou seja, praticamente dois terços desse montante, um total de R$ 129,2 bilhões, só terá impacto a partir de 2019.
No mercado, o anúncio foi recebido com cautela pelos empresários. Apesar de todos sinalizarem que o aceno feito pelo governo é positivo, falta explicar detalhes cruciais, como as taxas de retorno aos concessionários, que serão definidas durante os estudos de viabilidade.
A reação de investidores também foi conservadora: o valor das ações de várias empresas e concessionárias que podem assumir os empreendimentos caíram depois do anúncio.

Transoceânica. O exemplo mais emblemático dos projetos considerados complexos e duvidosos pela iniciativa privada é a Ferrovia Bioceânica, que já chegou a ser chamada de Transcontinental ou Transoceânica. Até agora, somente o governo brasileiro e os chineses conseguiram enxergar a viabilidade de se construir uma estrada de ferro que ligue os litorais do Peru e do Brasil, com custo de R$ 40 bilhões só em território brasileiro. Entre empresários, o empreendimento já é encarado como um novo "trem-bala", que nunca saiu do papel.
Outros dois empreendimentos do Centro-oeste competem entre si. Os produtores do Mato Grosso e a ministra da Agricultura, Katia Abreu, conseguiram incluir no pacote um trecho de 1.140 km de ferrovia, para ligar Lucas do Rio Verde (MT) ao porto de Miritituba, no Pará.
Trata-se de um projeto caro, estimado em R$ 9,9 bilhões. Paralelamente, o governo conta com a concessão, ainda neste ano, da BR-163, estrada que corre praticamente ao lado do traçado dessa ferrovia. Os 976 km de extensão da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba custariam outros R$ 6,6 bilhões. Um dos principais interlocutores do agronegócio, o senador Blairo Maggi (PR-MT) afirmou que fazer as duas concessões se mostra economicamente inviável.
Entre os projetos com maior chance de sucesso estão aeroportos e rodovias. Estão previstos R$ 66,1 bilhões de investimentos em rodovias e R$ 8,5 bilhões em aeroportos No setor portuário, a previsão é conceder 20 terminais em portos do Pará e nove em Santos (SP).

OESP, 10/06/2015, Economia, p. B1

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