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Pacote ambiental ainda nao estava pronto para ser lancado

OESP, Nacional, p.A5
19 de fev de 2005

Pacote ambiental ainda não estava pronto para ser lançado
Morte de irmã Dorothy e clima de tensão no Pará levaram governo a apressar interdição de áreas

BRASÍLIA - O pacote de oito medidas anunciado pelo governo anteontem ainda estava em fase final de avaliação, dependendo de últimos reparos jurídicos, mas teve seu anúncio precipitado por causa do clima de tensão no Pará, onde, desde sábado, quatro pessoas, entre elas a irmã Dorothy Stang, foram mortas por questões ligadas à posse de terra. Os últimos conflitos fizeram apressar a interdição das áreas, confirmou um assessor no Planalto, ressaltando a preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em adotar medidas que possam conter a violência na área.
Além do bloqueio dos 8,2 milhões de hectares na Região Norte, que fazia parte de um plano de preservação ambiental e seria anunciado no dia 21, outras medidas estão sendo antecipadas para combater a violência no Pará, informou o assessor do presidente. Entre elas, a instalação de escritórios da Polícia Federal em quatro cidades - Marabá, Santarém, Altamira e Itaituba - e o aumento da presença da Polícia Rodoviária Federal no Estado. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já intensificou e ampliou o seu trabalho na área.

Auxiliares do presidente fizeram questão de destacar que Lula já havia encomendado aos ministros um plano de preservação ambiental na região. O governo estava convencido de que, com a delimitação dessas áreas, a exploração das terras fica limitada, em muitos casos até proibida. O que pode, segundo o governo, contribuir para conter a disputa por terras no Estado, que considera um dos mais violentos do País.

UNIÃO

O governo se viu obrigado a entrar efetivamente no combate à violência no Pará porque 65% da área do Estado é de terras pertencentes à União, só restando 35% para o completo controle do governo local. A região da Terra do Meio, onde ocorreram as mortes, é muito violenta, principalmente porque todo ano chegam, em média, 120 mil pessoas, todas em busca de terra.

Apesar de o número ser considerado muito alto, a rotatividade é muito grande, tornando a região uma verdadeira terra de ninguém. Com a instalação das áreas ambientais e maior presença do governo federal, o Planalto espera poder conseguir exercer um controle maior sobre a violência.

OESP, 19/02/2005, Nacional, p.A5

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