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PAC terá de ser conciliado com proteção a indígenas, diz presidente da Funai

Agencia Brasil
Autor: José Carlos Mattedi
04 de Abr de 2007

Brasília - "Nós queremos desenvolvimento, sim, de qualquer jeito, não", defendeu o novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freiras de Meira. Ele concedeu entrevista hoje (5) à Radiobrás, em que defendeu a conciliação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a proteção dos territórios indígenas. Meira considera ser possível harmonizar as duas coisas, desde que o crescimento pretendido pelo PAC seja um desenvolvimento sustentável, com respeito ao meio ambiente e às populações nativas.

Em relação a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que vem sendo criticada no atendimento aos povos indígenas, Meira destacou que "não tem nenhuma intenção que o trabalho de saúde dessas comunidades volte às mãos da Funai". Ele acredita que uma maior parceria entre os dois órgãos pode funcionar, tendo a Funai no "papel de protagonista para que a política de saúde possa se qualificar". Como a Funasa está sem presidente, Meira acrescentou que só está esperando o novo empossado para discutir uma maior integração.

Sobre a situação das comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul (MS), que vivem problemas de conflitos com latifundiários e posseiros, de demora na demarcação das terras, e de morte de crianças por inanição, Márcio Meira destacou que a "situação é muito grave". Alegou que a população indígena local vem crescendo vertiginosamente, e que as terras indígenas não estão conseguindo dar sustentabilidade econômica às comunidades. "A desnutrição está associada a questão fundiária, que é precária no estado", resumiu.

Para o presidente da Funai, a solução para os problemas sul-matogrossenses não passa por ajustes pontuais, mas por "soluções programáticas". 'O governo criou um grupo de trabalho interministerial que vem atuando de forma integrada na região, nas áreas de saúde, alimentação e segurança pública", disse. Quanto a demarcação de terras, ele sublinhou que dentro desse grupo interministerial foi criada uma "força-tarefa" que vem se debruçando para avançar no tema. "Essa é uma questão básica. Se não avançarmos na área fundiária, as outras questões também não avançam".

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